Semana de Espiritualidade – quinto dia

Semana de Espiritualidade - Quinto dia“Para transmitir um conteúdo meramente doutrinal, uma ideia, talvez bastasse um livro ou a repetição de uma mensagem oral; mas aquilo que se comunica na Igreja, o que se transmite na sua Tradição viva é a luz nova que nasce do encontro com o Deus Vivo, uma luz que toca a pessoa no seu íntimo, envolvendo a sua mente, vontade e afetividade, abrindo-a a relações vivas na comunhão com Deus e com os outros.” (Lumen Fidei, 40.) Essas palavras resumem o teor da palestra “A fé celebrada e vivida”, com qual o Pe. Fábio Siqueira, da Paróquia N. Sra. de Fátima do Alto da Boa Vista, fechou com chave de ouro a Semana de Espiritualidade na basílica.

Evidentemente, antes de celebrar a fé que professa (e que é suscitada, primeiro, pela pregação da Palavra), é preciso que o indivíduo a conheça. Entretanto, não se trata de um “simples conhecimento intelectual, mas um conhecimento que nos introduz numa comunhão, numa relação com Deus. Conhecer o conteúdo é essencial, mas não suficiente”. Aquele que adere a Cristo pela fé deve necessariamente ser conduzido à liturgia, como experiência sacramental do mistério de Cristo. Como nos ensina o documento Sacrosanctum Concilium, “a liturgia é simultaneamente o cume para o qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força. Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a conseguir que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Batismo se reúnam em assembleia para louvar a Deus no meio da Igreja, participem no Sacrifício e comam a Ceia do Senhor” (10). Também a encíclica Lumen Fidei elucida: “ (…) para se transmitir essa plenitude existe um meio especial que põe em jogo a pessoa inteira: corpo e espírito, interioridade e relações. Este meio são os sacramentos celebrados na liturgia da Igreja; neles (…), a pessoa é envolvida, como membro de um sujeito vivo, num tecido de relações comunitárias. Por isso, se é verdade que os sacramentos são os sacramentos da fé, há que afirmar também que a fé tem uma estrutura sacramental (…)” (40).

Os sacramentos são, assim, a própria fé celebrada. Daí por que é tão importante normatizar a Liturgia, como explicou o Pe. Fábio: “Se ela é deturpada, isso vai deturpar aos poucos a fé da pessoa. É a fé que deve desembocar nos momentos celebrativos, não o contrário.” O palestrante lembrou que “muitos querem transformar a Missa num momento querigmático (de ouvir a Palavra, aderir à fé), o que ela não é. E aí ela fica parecendo um culto pentecostal. Não é assim que deve ser. A celebração é objetiva, não deve adaptar-se ao gosto de cada um. Para isso, temos outras atividades na Igreja – grupos de oração e reflexão, Legião de Maria etc. – nas quais pode haver maior subjetividade e adaptação aos diversos tipos de personalidade”. Um exemplo de deturpação da Liturgia, disse o palestrante, são as “Missas temáticas” (p. ex., Missa de Cura), com as quais muitas vezes se procura atrair um público que, na realidade, busca na Igreja o que ela jamais se propôs dar. “Pode-se até fazer ‘orações de cura’, em vez de Missas, mas mesmo assim é complicado porque se a pessoa não ficar curada ela vai se decepcionar e não vai mais à Igreja. E nós sabemos que Deus é livre. Ele cura a hora que quiser, se quiser. Então essas práticas até atraem pessoas, mas não fazem com que permaneçam na Igreja. Não é a forma correta de fazer”. A opção à deformação da Liturgia é convidar as pessoas a conhecer a Igreja em outros momentos que não os celebrativos. “Talvez seja mais conveniente convidá-las para um momento querigmático. Assim não é preciso tirar a riqueza infinita da celebração. Além disso, é complicado jogar no meio da assembleia eucarística uma pessoa que não sabe nem o que está fazendo ali, porque não teve uma iniciação cristã”, afirmou o Pe. Fábio.

Adequadamente celebrada, por sua vez, a fé precisa também ser vivida, isto é, a Liturgia precisa desembocar numa vivência cristã e num testemunho cristão. “Nós celebramos a fim de nos tornarmos aquilo que celebramos”, disse o Pe. Fábio. A vivência e o testemunho seriam, assim, um terceiro momento na evangelização: “O anúncio do querigma é o primeiro; depois, a celebração; e então aquele que recebeu a Palavra e celebrou os sacramentos pode dar testemunho”, resumiu o palestrante. E, como enfatizou, testemunho não é só ir à frente da assembleia e dizer: “Eu estava doente e fiquei bom”, mas tudo aquilo que a pessoa faz para expressar que teve um encontro com Cristo – por exemplo, ir à Missa, quando poderia estar em outro lugar; dedicar-se a atividades pastorais, quando poderia estar descansando e assim por diante. “Eu não estou dizendo que para dar testemunho você tenha que participar de uma pastoral. Às vezes o seu horário de trabalho nem é compatível com isso. Mas desde quando o Evangelho depende de participar de pastoral? Quer dizer que se você não tiver a carteirinha de Ministro da Visitação não pode visitar um doente? Existe uma variedade enorme de trabalhos a fazer. Ninguém tem desculpa pra não fazer, até porque nosso primeiro testemunho é a nossa vida, nossa participação na comunidade, nossa forma de viver na família e no trabalho.”

Pe. Fábio, nossa gratidão por sua disponibilidade. Ao abrir mão de outras atividades – talvez de um merecido descanso – para partilhar conosco seus conhecimentos, o senhor deu um testemunho de primeiríssima qualidade.

 

Andréia Mello da Silveira

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Semana de Espiritualidade 4 a 8/11/2013

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