História da Igreja

São Paulo: de perseguidor a coluna da Igreja
Depois de se converter e ser batizado por Ananias, Paulo retirou-se para a Arábia (sudeste da atual Síria) e voltou a Damasco, onde, ao mesmo tempo que continuava a ser instruído na fé cristã, prosseguia o seu testemunho de Cristo ressuscitado. Isso lhe trouxe a perseguição do judeus, a ponto de ele ter de se esconder e fugir da cidade à noite, descido num cesto pela muralha com a ajuda dos discípulos. Em seguida, São Paulo chegou a Jerusalém, onde, graças à ajuda de Pedro e de Barnabé, foi acolhido pelos cristãos, que desconfiavam dele por causa da sua fama de perseguidor da Igreja. Mas as disputas de São Paulo com os judeus puseram de novo em perigo a sua vida, e dessa vez os novos irmãos o conduziram a Cesareia, de onde embarcou para a sua cidade natal, Tarso. Sem se cansar, o apóstolo dirigiu-se a outras cidades da Cilícia (sul da atual Turquia) e da Síria, onde continuou a dar testemunho da sua fé durante aproximadamente cinco anos, animado por Barnabé. Esse período terminou com uma nova viagem de Barnabé e Paulo a Jerusalém para levar uma coleta de donativos aos irmãos da Judeia.

As linhas gerais desses densos anos da vida do apóstolo encontram-se no livro dos Atos dos Apóstolos (13,1-21,16). O centro da atividade apostólica de São Paulo é a cidade de Antioquia da Síria, de onde sempre parte e para onde volta, à exceção da terceira e última viagem, que acaba em Jerusalém. A partir daí, começa a última grande etapa da sua vida, que culmina com a prisão e o martírio em Roma.

José Grillo

A conversão de Paulo
Conversão de PauloApós a morte de Estêvão, ocorreu uma grande perseguição contra a Igreja. Saulo entrava nas casas e arrancava homens e mulheres para levá-los à prisão. Saulo pediu que o chefe dos sacerdotes fizesse cartas para as sinagogas de Damasco, capital da Síria, com o objetivo de prender todos os cristãos e levá-los a Jerusalém.

No caminho para Damasco, já perto da cidade, uma luz vinda do céu o cercou e Saulo caiu por terra. Ele ouviu uma voz dizendo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”, e perguntou: “Quem és?” E o Senhor disse: “Eu sou Jesus, a quem persegues.” Trêmulo e atônito, Saulo respondeu: “Senhor, que queres que eu faça?” E Jesus disse: “Levante, entre na cidade e lá será dito o que deverá fazer.” Os homens que acompanhavam Saulo ficaram espantados, pois eles ouviam a voz, mas não viam ninguém. Saulo se levantou, mas seus olhos nada viam. Ele entrou em Damasco e ficou três dias sem ver, comer ou beber. Ali morava um discípulo de Jesus chamado Ananias. Em uma visão o Senhor lhe disse: “Vai à rua Direita e pergunte em casa de Judas por um homem de Tarso, que está rezando.” Ao mesmo tempo, Saulo teve uma visão na qual Ananias impunha-lhe as mãos e ele recobrava a visão. Ananias disse ao Senhor: “Senhor, já me falaram que este homem fez muito mal aos teus fiéis em Jerusalém e ele tem poder para prender aqueles que invocam o teu nome.” Mas Jesus disse: “Vai, pois este homem é um instrumento que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel!” Ananias foi, impôs as mãos sobre ele e disse: “Saulo, Jesus, que te apareceu no caminho para Damasco, enviou-me para que recobres a visão e fiques cheio do Espírito Santo.” No mesmo instante, caíram escamas dos olhos de Saulo, que voltou a enxergar. Ele se levantou e foi batizado.

Assim se converteu São Paulo, o Apóstolo dos gentios e, junto com São Pedro, uma das colunas da Igreja.

Luis Felipe Lobianco

A escolha dos primeiros diáconos e a morte de Estêvão, protomártir
Santo EstêvãoComo o número de discípulos estava crescendo, os doze apóstolos resolveram escolher sete homens de boa reputação e cheios do Espírito Santo como diáconos. Foram escolhidos Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau. Eles foram apresentados aos apóstolos e estes lhes impuseram as mãos.

A palavra de Deus estava sendo cada vez mais divulgada e o número de fiéis crescia consideravelmente. Estêvão, homem cheio de fé e fortaleza, fazia vários milagres e prodígios diante do povo. Por causa disso, alguns judeus ficaram incomodados, agarraram-no e o levaram para o sumo sacerdote. Foram apresentadas falsas testemunhas contra Estêvão, que foi acusado de proferir palavras contra a Lei, de dizer que Jesus iria destruir o Templo e de mudar as tradições deixadas por Moisés. Estêvão fez então um longo discurso para os anciãos, começando pela aliança feita com Abraão, passando por Isaac, Jacó, os doze patriarcas, José do Egito, até Moisés e Josué. Concluiu dizendo que o Altíssimo não habita casas construídas por mãos humanas e disse que os anciãos eram homens duros de coração, que resistiam ao Espírito Santo. Estêvão ainda disse que os pais deles mataram os profetas que prediziam a vinda do Justo, que por eles tinha sido traído e assassinado, bem como os acusou de não guardarem a Lei que receberam.

Ao ouvirem estas palavras, os anciãos ficaram com muita raiva. Eles o levaram para fora da cidade e o apedrejaram. Estêvão disse: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” Ele chegou a pedir o perdão para os assassinos e faleceu. Foi o primeiro mártir da história da Igreja, e uma das testemunhas desses acontecimentos foi um moço chamado Saulo, que aprovou a morte de Estêvão.

Luis Felipe Lobianco

As primeiras curas dos apóstolos e a prisão de Pedro e João
CuraApós o dia de Pentecostes, Pedro e João subiram ao templo de Jerusalém para rezar. Na porta do templo vivia um coxo de nascença, que pediu esmola. Pedro disse: “Não tenho nem ouro, nem prata, mas o que tenho, eu te dou; em nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda!” O coxo se levantou e entrou no templo saltando e louvando a Deus.

Todo o povo testemunhou o acontecido e Pedro falou a todos sobre Jesus, dizendo que deveriam se arrepender de seus pecados e se converter. Enquanto falava, vieram os sacerdotes, o chefe do templo e os saduceus, que estavam contrariados com o anúncio sobre a ressurreição de Jesus. Pedro e João foram levados para a prisão e ali permaneceram, pois já era tarde. Muitos dos que ouviram a pregação de Pedro creram. O número de fiéis passou para cerca de cinco mil.

No dia seguinte, os sumos sacerdotes e anciãos perguntaram a Pedro e João com que poder e em nome de quem curavam. Pedro respondeu que curava em nome de Jesus, que ressuscitou dos mortos, e acrescentou que em nenhum outro havia salvação. Os anciãos e sumos sacerdotes ordenaram que eles não falassem nem ensinassem em nome de Jesus e os ameaçaram, mas não acharam pretexto para castigá-los. Então os dois foram soltos e contaram para os apóstolos e discípulos o ocorrido.

Os fiéis perseveravam na doutrina dos apóstolos, na fração do pão e nas orações. Eles viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam seus bens e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição de Jesus. Milagres e prodígios eram realizados por suas mãos e cada vez mais aumentava a multidão dos que acreditavam no Senhor. Muitos traziam doentes para as ruas, para que ao menos a sombra de Pedro cobrisse alguns deles. Também vinham pessoas das cidades vizinhas de Jerusalém trazendo enfermos e atormentados, que eram curados.

Luis Felipe Lobianco

Da Ascensão até Pentecostes
PentecostesPouco antes da Ascensão, Jesus ordenou que os apóstolos não se afastassem de Jerusalém e disse que o Espírito Santo desceria sobre eles. Os apóstolos voltaram para Jerusalém e permaneceram em oração no cenáculo junto com as mulheres, inclusive Maria. Estavam trancados por medo dos judeus. Pedro reuniu em assembleia 120 pessoas, entre apóstolos e discípulos de Jesus, que formavam a Igreja nascente. O objetivo era escolher o substituto de Judas Iscariotes. Foram propostos os nomes de José, chamado Barsabás, e Matias. Os apóstolos e discípulos rezaram e depois tiraram a sorte, que caiu sobre Matias. Ele então foi incorporado aos onze. Essa foi a primeira sucessão apostólica na história da Igreja. Desde então, sempre que necessário, a Igreja escolheu novos apóstolos, que se foram sucedendo até os dias de hoje. Nossos bispos são verdadeiros sucessores dos 12 apóstolos.

Cinquenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecostes, os apóstolos continuavam reunidos no cenáculo quando, de repente, ouviram um ruído como o de um vento impetuoso que encheu a casa. Apareceram línguas de fogo que pousaram sobre os que ali estavam. Todos ficaram cheios do Espírito Santo, como Jesus havia prometido. Muitos judeus ouviram o ruído e muita gente se juntou para ver o que estava acontecendo. Havia judeus de todas as nações conhecidas, que falavam línguas muito diferentes; muitos não falavam aramaico. Eles não sabiam o que pensar, pois ouviam os apóstolos anunciarem as maravilhas de Deus em sua própria língua. Pedro, então, fez seu primeiro discurso público, anunciando a ressurreição de Cristo, e o concluiu dizendo: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus.” Naquele dia foram batizadas cerca de três mil pessoas.

Luis Felipe Lobianco

Da crucificação à ascensão
AscensãoLogo após a instituição da Eucaristia, na Última Ceia, Jesus foi preso, condenado e flagelado, morrendo na cruz. O seu sofrimento também causou sofrimento à Igreja nascente, especialmente à sua mãe, Maria Santíssima.

Jesus foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia. A princípio, os discípulos não entenderam o que havia acontecido. As mulheres que foram ao sepulcro acreditaram que o corpo de Jesus havia sido roubado e não sabiam onde tinha sido colocado (Jo 20, 2.13.15). Mesmo depois de elas se terem convencido da ressurreição de Jesus, os discípulos acharam que elas deliravam, e não lhes deram crédito (Lc 24, 11). Eles só acreditaram que Jesus havia ressuscitado após o encontro em Emaús (Lc 24, 13-35) e a aparição no cenáculo (Jo 20, 19-23). Ainda assim, Tomé, um dos doze, disse que precisava pôr o dedo no lugar dos pregos para acreditar. Jesus apareceu aos discípulos novamente oito dias depois, e Tomé, que estava com eles, ao vê-lo fez a famosa profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”. Jesus então se refere a nós, cristãos: “Creste, por que me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!” (Jo 20, 24-29).

A ressurreição de Jesus é o ponto central da nossa fé. Como disse São Paulo, “se Cristo não ressuscitou, vã é a vossa fé” (1Co 15,14). “O mistério pascal da cruz e ressurreição de Cristo está no centro da Boa-Nova que os apóstolos e, depois deles, a Igreja, devem anunciar ao mundo. O desígnio salvífico de Deus cumpriu-se de “uma vez por todas” (Hb 9, 26) pela morte redentora do seu Filho” (Catecismo da Igreja Católica, nº 571).

Jesus ainda apareceu outras vezes, mas 40 dias após a ressurreição ascendeu ao céu dizendo “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, ensinai a todas as nações: batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28, 16-20.)

Luis Felipe Lobianco

O nascimento da Igreja
historia_da_igreja_nascA História da Igreja Católica começa por sua instituição pelo próprio Cristo, durante sua vida terrena, na Palestina, ocupada pelos romanos no século I da Era Cristã. “A fim de cumprir a vontade do Pai, Cristo deu começo na terra ao Reino dos Céus e revelou-nos o seu mistério, realizando, com a própria obediência, a redenção. A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus” (Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, nº 3).

A Igreja nasceu principalmente do dom total de Cristo pela nossa salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na cruz. Tal começo e crescimento da Igreja exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado. Porque “foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja. Assim como Eva foi formada do costado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração trespassado de Cristo, morto na cruz.” (Catecismo da Igreja Católica, nº 766).

Em diversas passagens do Novo Testamento percebemos a clara intenção de Jesus Cristo de fundar a Igreja Católica. Podemos dar como exemplos a instituição do Primado de Pedro (Mt 16,13-19) e a instituição da Eucaristia (Lc 22, 7-23). “O mistério da Santa Igreja manifesta-se na sua fundação. O Senhor Jesus deu início à Sua Igreja pregando a boa nova do advento do Reino de Deus prometido havia séculos nas Escrituras: “cumpriu-se o tempo, o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15; Mt 4,17). Este Reino manifesta-se na palavra, nas obras e na presença de Cristo, mas sobretudo na própria pessoa de Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, que veio “para servir e dar a sua vida em redenção por muitos” (Mt 10,45)” (Lumen Gentium, nº 5).

Luis Felipe Lobianco