Frei Wilson Gomes do Nascimento

Quem participa das Missas à que ele preside sabe que, em suas homilias, o fr. Wilson aplica em sucessão jabs, diretos e cruzados, até nocautear o adversário, com classe e calma – e sempre com jogo limpo… Depois, como se nada tivesse acontecido, pede um instantinho de silêncio… É para conseguirmos nos recuperar e meditar na contundência de suas palavras, todas tiradas ou inspiradas na Palavra de Deus, que sempre nos chamam a avaliar nossa consciência e averiguar se estamos sendo verdadeiramente cristãos ou se, como o Adversário, estamos sendo hipócritas e dando “golpes baixos” em nome do nosso comodismo.

O nosso entrevistado deste mês, segundo consta, acaba de completar 50 anos – o que é difícil de acreditar quando se olha para o seu rosto tão jovial. Fr. Wilson entrou para o Carmelo em 1987, em Caratinga (MG), e fez sua primeira profissão em 1988, em São Roque (SP). Ordenado presbítero em 1995, ele já exerceu inúmeras funções nas paróquias e conventos por onde passou: foi pároco da Igreja de Santa Teresinha em São Paulo e superior do convento por dois anos, além de formador de um grupo de estudantes de Filosofia e Teologia durante um triênio. Também já foi superior do Convento Nossa Senhora do Carmo, em Caratinga (MG), conselheiro da província São José, vigário paroquial e formador de postulantes, durante outro triênio. Exerceu ainda a função de superior do Convento Santa Teresa, em Belo Horizonte (MG), e formador de estudantes de Teologia, por três anos. Atualmente, para nosso grande contentamento, é membro da comunidade Santa Teresinha do RJ, além de primeiro conselheiro da comunidade e vigário paroquial, funções que acumula com as de assistente e delegado provincial da Ordem Secular do Norte/Nordeste e assistente religioso da Associação dos Carmelo do Nordeste.

Uma característica notável do fr. Wilson: Nele não se percebe – mesmo! – um traço de vaidade, seja em razão de sua inteligência, seja em razão de seus vastos conhecimentos, seja em razão de sua eloquência. Como é próprio dos grandes, ele sabe que nada disso é mérito dele. Então vamos ao que interessa: a entrevista que ele concedeu à Pascom.

1. Quando e em que circunstância o senhor percebeu que era chamado à vida religiosa? O desejo de ser sacerdote veio junto com o de ser religioso ou surgiu depois? Fui percebendo o chamado para vida religiosa aos poucos. Logo depois da Crisma, comecei a participar do grupo de jovens e da comunidade. Foi como um novo nascimento. Tive a graça de entrar na adolescência conhecendo e me engajando na família da Igreja. As palestras, reflexões falavam sempre da necessidade de operários para a Messe e comecei a me questionar se eu não seria chamado. Comecei a orar mais e fazer acompanhamento vocacional para discernimento. Não estou certo se primeiro veio o chamado ao sacerdócio ou à vida religiosa, mas ambas as coisas me atraíam e ainda atraem.

2. Por que escolheu especificamente o Carmelo como “porta de entrada” para a vida religiosa? Escolhi o Carmelo porque fui conhecendo o carisma e me identificando com ele. Minha paróquia de origem tem como patrona santa Teresinha. Na época que comecei a me engajar líamos História de uma alma, fazíamos novenas a ela, tínhamos retiro espiritual de carnaval e as vezes em preparação à festa dela. Alguns retiros foram feitos em São Roque, em nosso convento, e alguns frades eram convidados de vez em quando para darem palestras. Comecei a me interessar mais e a frequentar o convento, procurando conhecer e participar do que era possível.

3. Quais os santos que mais o inspiram, no Carmelo ou fora dele, e por quê? Desde o início de minha caminhada na Igreja e na vocação Santa Teresinha é minha inspiradora, mas a partir dela comecei a conhecer outros santos: São Paulo, São Francisco Assis, Santa Madre Teresa, São João da Cruz, Santa Teresa Benedita da Cruz, a Santa Mãe de Deus, Nosso Pai São José e tantos outros. Eles são para nós intercessores e modelos de seguimento de Cristo. O amor que tiveram a Deus e a sua doação me inspiram.

4. Sua família era/é católica? Apoiou-o em sua decisão ou houve algum conflito? Minha família é católica, apenas uma irmã é evangélica. Meu pai e minha mãe resistiram muito à ideia de eu ser padre. Pensavam em mim casado e com filhos.

5. Em algum momento de sua trajetória teve dúvida sobre sua vocação, chegou a pensar em alterar os planos? Em caso afirmativo, como Deus o mostrou que estava no caminho que Ele havia escolhido para o senhor? Penso que a dúvida faz parte da caminhada de todo ser humano e não apenas na questão vocacional. Por isso precisamos discernir o tempo todo. Comecei a pensar no Carmelo com 16 anos e só entrei com 23 anos. Foram anos de preparação, de autoconhecimento, de participação em encontros vocacionais, diálogos de acompanhamento pessoal com padres, muita oração e também acompanhamento psicológico – quando fazia Filosofia, já dentro do Carmelo. Deus nos dá a confiança de que estamos no caminho certo e as vezes algumas situações e pessoas nos confirmam isso. É uma caminhada de fé. Deus não nos engana, nem decepciona.

6. Quais as principais alegrias e as principais dificuldades da vida religiosa e sacerdotal? São muitas as alegrias de ser religioso sacerdote: celebrar a eucaristia diariamente, atender as confissões, viver em comum o mesmo ideal, ter horário de oração, ajudar as pessoas ouvindo-as, dar formação por meio de palestras, enfim, poder realizar aquilo a que me sinto chamado. Penso que as dificuldades são aquelas inerentes a todo relacionamento humano: a dificuldade ora está em mim, ora no outro. São aspectos que precisam ser trabalhados, amadurecidos. Estamos nesta vida numa caminhada rumo à plenitude e até chegarmos lá temos muito a aprender.

7. Quais as principais mudanças que percebe, entre os religiosos e sacerdotes e entre os fiéis, do tempo que o senhor foi ordenado até hoje? Quais os principais desafios encarados pelo sacerdote hoje? Entendo que cada época tem suas características. Hoje os valores religiosos não estão tão presentes na cultura como no passado e às vezes a religião é malvista e difamada, basta ver os personagens de filme e novelas quando são religiosos. Sempre são representados de maneira caricata: comilões, hipócritas, desregrados sexualmente, interessados em dinheiro, no luxo etc. Isso torna ainda mais claro, para mim,  o que não devo e o que devo buscar ser. Temos um plano e um projeto que é o Evangelho, estamos cercados por uma nuvem de testemunhas que seguiram por este caminho, que são os santos, e se me esforço pra viver esta vocação posso contar com a graça de Deus para realizá-la.

8. Como se sente participando com tanta “intimidade” do ministério de Cristo? Participar do mistério de Cristo é algo tão grande que só mesmo a eternidade para poder agradecer dom tão maravilhoso. Na minha profissão religiosa e ordenação sacerdotal me senti muito pequeno diante da realidade que assumia, mas ao mesmo tempo dizia e digo a mim mesmo que isso não é mérito próprio, mas pura bondade do Amor Misericordioso de Deus. E se Ele quer que seja assim, eu aceito e procuro corresponder ao máximo.

9. Como conciliar a vida contemplativa com as demandas da vida paroquial? Uma coisa atrapalha ou ajuda a outra? As dimensões contemplativa e apostólica são duas faces do ser cristão. São as duas dimensões da vida do próprio Cristo, que passava longas horas em oração pessoal e silenciosa, ia ao templo e à sinagoga, mas também estava junto ao povo anunciando, ensinando, curando, libertando as pessoas do mal, perdoando e amando. Santa Teresa captou isso muito bem e quis que os frades, além de contemplativos, orantes, fossem também apostólicos, evangelizadores. A própria oração das monjas é apostólica, já que não se ora apenas por si, mas, em comunhão com Cristo e com a Igreja, oramos pela humanidade, para que venha o Reino em plenitude. Se realmente sou carmelita teresiano devo ser contemplativo em qualquer lugar em que estou, pois posso amar a Deus e ao próximo não só na oração, mas também nas atividades em que estou. Em nossa sociedade consumista, materialista, focada no ter e no fazer, na produção, mais do que no ser e na pessoa, o grande risco que eu posso correr é cair no ativismo, descuidando da oração pessoal e comunitária que assumi como compromisso e que está em nossas leis (além da Missa, rezar o ofício da liturgia das horas, a oração mental, a leitura espiritual, exercitar a mortificação etc.).

Cada família religiosa tem uma identidade própria, um carisma próprio que deve marcar nossa atuação. É isso que se espera de nós. Penso que continua sendo um desafio fazer com que nossas paróquias sejam irradiadoras da nossa espiritualidade teresiana. Um centro de espiritualidade oferece retiros e cursos na área da espiritualidade; as paróquias devem ser também um lugar de cultivo da espiritualidade em profundidade, que ajude a transformar a vida das pessoas e fazer com que elas se tornem discípulos missionários e não apenas um lugar de devoção ou celebração de sacramentos. Pelo menos é para isso que os documentos da Igreja no Brasil tem apontado.

10. Como o senhor lida com o fato de não ter uma residência fixa, com a possibilidade de ser transferido para um lugar distante, em que fique sem possibilidade de contato frequente com sua família e amigos mais chegados? Para o senhor, a questão do desapego é bem resolvida ou é algo que, com sacrifício, faz por obediência e amor a Deus? O fato de não termos residência fixa é um dado que sabemos antes de entrar para a vida religiosa. É algo para o qual somos formados e que assumo como parte da minha vida, vocação e missão. Sair de minha família, deixar meus amigos e cidade pela primeira vez foi o mais difícil. Enquanto sou jovem (mais ou menos) penso que mudar é algo mais tranquilo. Com o tempo vou me adaptando aos lugares onde ainda não morei ou onde talvez tenha mais dificuldade de morar. Quanto à família e amigos sempre há possibilidade de escrever cartas, telefonar, internet, além das visitas, férias e ocasiões onde podemos nos ver e falar. Estou sempre unido em oração à minha família e amigos. Sei que um dia estaremos todos juntos e não haverá mais separação. Desapegar-se exige esforço e a graça de Deus. Agir por amor e por obediência a Deus ajuda e hoje me sinto mais livre do que ontem para ir aonde me mandarem.

11. Nos conventos em geral, a fraternidade é uma realidade ou ainda há um caminho a percorrer para que isso ocorra? A fraternidade e qualquer relacionamento precisam ser construídos e cultivados. O homem não foi feito pra viver só. Se estamos numa comunidade cristã, religiosa, somos chamados a viver em comunhão, a amarmos aos outros como Jesus nos amou, a nos relacionarmos na fraternidade. Se estamos crescendo em maturidade humana e espiritual o amor não tem como ficar escondido, ele se manifesta na busca de uma vivência de fraternidade, em relacionamentos afetuosos, simples, cordiais, respeitosos, e os conflitos e dificuldades que existem, maiores e menores, precisam ser resolvidos na oração, diálogo, partilha etc. Penso que isso é a nossa busca de cada dia.

12. Pelo sacramento da Ordem, o sacerdote recebe poderes para perdoar, em nome de Deus, os pecados. Mas, embora represente a Cristo, trata-se de um homem ouvindo a confissão. Queria saber se fica angustiado ou como se refaz após ouvir uma confissão daquelas “pesadas”. Além da preparação espiritual, da oração, da Graça, da força que o sacramento confere, não é necessário que os padres tenham um apoio psicológico específico para suportar essa “carga”? Não sinto a confissão como algo pensado que tenho que carregar ou que me angustia. É algo entre Deus e a pessoa que confessa. Como padre sou uma testemunha, um sinal, para que o confidente perceba melhor a misericórdia do Pai e receba o perdão de Deus. Quando alguma situação me deixa mais ”mexido” coloco a pessoa e esta situação na oração, nas mãos de Deus, para que a ilumine, console, fortaleça e ajude a superar o problema. Na Teologia tivemos preparação para o atendimento de confissão, já fiz acompanhamento psicológico, também participei de um grupo de relação de ajuda que contribuiu muito para aprender a escutar, entender as pessoas e dizer algo que possa contribuir para lidarem melhor com a situação difícil que estão vivendo. Nos últimos tempos tempo rezado muito pedindo perdão pelos meus pecados e os pecados de meus antepassados, mas a Missa é a intercessão mais poderosa que temos por todos os pecadores, já que é Cristo mesmo, Cordeiro sem mancha, que se oferece ao Pai para reconciliar a humanidade. Toda Igreja tem essa missão de reconciliar e de intercerder pelos pecadores, incluindo nós mesmos.

13. Na exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis  – sobre a Eucaristia, o Papa Bento XVI fala sobre a arte da celebração, mencionando o valor das normas litúrgicas e a riqueza dos sinais: “A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adições inoportunas.” Porém o que mais se vê hoje em dia é a “invencionice” (como se a Missa fosse um espetáculo, um show), por um lado, e certa desconsideração com relação à riqueza dos sinais, por outro lado. Como o senhor. vê essa situação? A missa é uma riqueza de gestos, símbolos, palavras e, é claro, pelo próprio Mistério que celebramos. Penso que padres e leigos deviam, quem sabe, estudar juntos a liturgia para ver o que é essencial e o que é supérfluo. Existem normas do que se pode e o que se deve fazer e aquilo que é opcional. A memória facultativa de um santo, por exemplo, pode ser celebrada ou não, é optativo. Corremos o risco de fazer da celebração eucarística apenas uma devoção. Não se vê a Eucaristia como o próprio Deus se dando a nós como alimento. Algumas pessoas parecem valorizar mais a água benta ou a bênção na sacristia do que a benção que o próprio Deus dá a nós no pão e no vinho. Alguns padres querem fazer as coisas guiados apenas por sua cabeça, sem uma justificativa e sem critérios, o que confunde os leigos, principalmente se forem ministros – percebo que alguns ficam muito perdidos, sem saber o que fazer.

14. Vemos que alguns sacerdotes muitas vezes fogem às leituras e acabam divagando demais nas homilias. Não é o seu caso; suas homilias são sempre pertinentes, concisas, enxutas – e contundentes. Como as prepara? Procuro preparar as homilias com antecedência. Durante a semana leio os textos no dia anterior e para as homilias de domingo procuro ler os textos na segunda-feira ou na terça-feira anteriores. Leio, releio, procuro entender, ver o que me chama a atenção, rezo pedindo para que Jesus fale o que quer dizer a mim ou dizer ao povo a respeito da mensagem da Palavra. Me pergunto também como a Palavra pode ajudar hoje na vida das pessoas. Me pergunto o que esta Palavra denuncia, adverte, indica, mostra para nós hoje. Leio também na internet ou em impressos comentários sobre a liturgia do dia, principalmente as reflexões sobre as leituras. Se não entendo algo do texto ou tenho dúvida vou pesquisar.

15. O seu comportamento – pelo menos pelo que eu posso observar – também é marcado pelo comedimento (inclusive nos gestos), pela serenidade e pela constância. O senhor está sempre sorrindo e, aparentemente, não altera seu humor com facilidade. Ensina-nos o segredo para manter essa paz em meio aos problemas, incertezas, medos… Se sou tudo isso que você diz, só posso dizer que é a ação de Deus na minha vida. Sem ele não sou nada. Posso dizer com convicção que quando comecei a participar mais da Igreja, da Missa, de retiros, de palestras, da comunidade fui recebendo muitas graças de Deus para me conhecer melhor, trabalhar os meus pensamentos, sentimentos e atitudes. A fé me tornou melhor. Aprendo com os santos do Carmelo e demais santos que de tudo podemos tirar uma lição, algo de bom: “Até do mal Deus tira o bem”, “tudo passa”, “quando sou fraco é então que sou forte”. Deus é muito bom, misericordioso, paciente, e perceber isso me faz querer imitá-lo e pedir sua graça para me tornar mais semelhante a Ele. Em geral estou de bom humor, graças a Deus, mas tenho também os meus “pitis”, kkkkk, e então peço ajuda aos meus amigos do céu e da terra e/ou vou passear e me distrair, descansar a cabeça e o coração.

16. O papa emérito certa vez enfatizou a necessidade de “sacerdotes santos, e santificadores”, mais até do que “cultos, eloqüentes e atualizados”. Na sua visão, temos hoje predominância de uns ou de outros? Não me sinto qualificado para falar sobre este assunto. Já no tempo de santa Teresa havia uma polêmica entre os intelectuais e os espirituais. O grande problema parece ser quando os “intelectuais” menosprezam a simplicidade, os pobres e aqueles que não têm a mesma capacidade intelectual deles e idolatram a si mesmos, ou quando os “espirituais” não sabem dar razões da sua fé, desprezam os estudos e o conhecimento e se escondem atrás da aparência de piedade para enganar os outros. No seguimento de Jesus, ainda mais nos dias de hoje, a razão precisa da fé e a fé precisa da razão. É importante evangelizarmos a cultura e termos critério de discernimento diante de tanto “lixo” que os meios de comunicação e alguns grupos e movimentos da sociedade estão tentando impor a todos: aborto, permissividade sexual, consumismo, banalização da pessoa humana (embriões, idosos, crianças, mulheres) etc.

17. Qual a grande novidade que o papa Francisco, eleito recentemente, pode trazer à Igreja? A novidade que o Papa Francisco pode trazer à Igreja é algo tão antigo, mas sempre novo: Jesus Cristo e seu Evangelho. O papa nos recorda a beleza do Amor de Deus pela humanidade, pelos pequenos, pelos pobres, pelos pecadores, pelos excluídos, por todos aqueles que o mundo considera como nada, como lixo. Nosso mundo que se considera tão autossuficiente, que nem precisa de Deus, mas que se sente vazio, angustiado, triste, e por isso se deixa prender ao vício das drogas, do prazer e do poder. Este mundo ainda não conheceu a Beleza tão antiga e tão nova do amor de Deus e assim se prende a uma ilusão de felicidade.

18. Se não fosse sacerdote, que profissão gostaria de exercer? Se não fosse sacerdote gostaria de trabalhar com livros. Adoro ler. Ter uma livraria ou uma banca de jornais e revistas, trabalhar numa biblioteca. Gostaria também de trabalhar com saúde mental, talvez seria psiquiatra, psicólogo ou psicanalista. Gosto muito de psicologia. Já li e leio muito sobre o assunto. Penso que é uma área que contribui muito ao nosso desenvolvimento e crescimento humano. Se as pessoas tivessem um pouquinho de conhecimento nessa área ou se fizessem uma  boa terapia, na minha opinião, sofreriam menos. Gostaria também de ser professor; talvez lecionasse Filosofia, Educação, Antropologia ou ensino básico, alfabetização. Muita coisa, não?

 

É muita coisa mesmo, fr. Wilson! Mas para uma pessoa cheia de talentos como o senhor, não é nada. Caríssimo, tenha a certeza de que toda a comunidade tem grande orgulho de tê-lo como irmão na fé, e a esperança de, um dia, chegar a ter metade das suas virtudes. Deus o recompense por tudo – pelo esforço e dedicação que vemos e, sobretudo, por tudo aquilo de que se priva e pelos sacrifícios que nem imaginamos que faz por todos – mas que Deus conhece direitinho!

(Fizemos um bate-bola à la Marília Gabriela e aí vai um resumo pra quem quiser hospedar o fr. Wilson nas férias e fazer-lhe um agrado. Primeiro, que seja uma casa perto da praia – já que ele gosta muito de caminhar à beira-mar, ficar sentado olhando o mar, descansar, ler, ver o sol nascer ou se pôr. Segundo, deixe à sua disposição, na mesinha de cabeceira, além da Bíblia e de obras espirituais, também livros de filosofia, psicologia, aventura, policiais, romances, fantasia (bruxaria, magia, duendes, fadas). Sim, senhor, ele leu O Senhor dos Anéis, gosta muito do Harry Potter e já devorou “uma série de livros de Rick Riordan que falam de aventuras de jovens semideuses. É uma leitura infantojuvenil que me distrai, descansa e que não tenho obrigação de passar o conteúdo adiante. Considero os autores criativos e inteligentes e fazem com que as crianças leiam com gosto.” Terceiro, anime o ambiente com músicas de Milton Nascimento, Chico Buarque, Gonzaguinha, Zeca Baleiro, Elba Ramalho, Marina Lima, Rita Lee, Martinho da Vila, Paulinho da Viola; ou então música italiana; ou Tina Turner, Rod Stewart, Katy Perry – mas esconda tudo de pagode ou funk, caso tenha alguma coisa do gênero em casa. Para as refeições, vale tudo: além do insuperável arroz com feijão, ele gosta muito de macarronada, yakisoba, frango xadrez ou de qualquer outra forma, dobradinha, polpetone, feijoada, peixe assado ou refogado. Quarto, e mais importante: que seja uma casa em que se ora.)

 

Andréia Mello da Silveira

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Informativo – Dez/2016


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