Pastoral da Saúde

Poucas coisas mostram tanto o rosto da paróquia cmo a atividade dos agentes pastorais. Por isso, passaremos a apresentar nesta seção, além dos perfis de paroquianos, também um pouco da rotina de nossos agentes em seu generoso trabalho – começando pela Pastoral da Saúde.

Histórico e missão

Em 1985, foi instituída pelo Motu Proprio “Dolentium Hominum” a Comissão Pontifícia para o Apostolado dos Profissionais da Saúde, que alguns anos depois veio a constituir o Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde. No Brasil, essa pastoral foi instaurada em 9 de maio de 1986, com o propósito de ser, segundo definição da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a “ação evangelizadora de todo o povo de Deus, comprometido a defender, promover, preservar, cuidar e celebrar a vida, tornando presente na sociedade de hoje a missão libertadora de Cristo no mundo da saúde”.

Além de prestar atendimento aos doentes e necessitados nos locais em que eles se encontram, a Pastoral da Saúde (PS) participa de campanhas educativas e preventivas em comunidades e também nacionalmente, em parceria com instituições públicas e privadas – exemplos disso são a campanha de combate à hanseníase, realizada em 2010, e a campanha para ampliação do diagnóstico do HIV, em 2009 (ambas em parceria com o Ministério da Saúde). Esses três âmbitos principais de atuação são conhecidos como as dimensões solidária, comunitária e político-institucional da PS.

Na basílica, os trabalhos dessa pastoral iniciaram-se em 2000, sob a coordenação de Luiz Augusto Cruz – hoje diácono permanente da Paróquia Nossa Senhora Aparecida – sendo secretária Erliete Gomes Abrantes, que em 2001 assumiu a coordenação da PS, estruturando, organizando e integrando os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão (MESCs) aos agentes que já visitavam os enfermos da comunidade paroquial. Atualmente, os membros da PS fazem visitas domiciliares sempre que necessário (prestando auxílio espiritual e levando a Comunhão a doentes, idosos e pessoas impossibilitadas de se locomover) e atendem regularmente aos irmãos das casas geriátricas Santa Bernadete e São Judas Tadeu e às pessoas internadas no Hospital Gaffrée Guinle. Sempre que solicitado, fr. Junior Gualberto, dirigente espiritual da pastoral, atende a confissões e ministra a Unção dos Enfermos. Esse sacramento também é ministrado independentemente de solicitação prévia por ocasião da Quaresma e do Advento. Em datas especiais, como Dia dos Pais, Natal e Páscoa, fr. Junior celebra Missas nos locais atendidos pela basílica.

A PS é também a principal responsável pela promoção de grande parte das atividades educativas e de utilidade pública realizadas na paróquia, como as feiras de saúde, nas quais são oferecidos serviços como aferição de pressão, vacinação, exame de glicose, entre outros. Sempre que necessário e possível, a pastoral também auxilia os seus atendidos em necessidades materiais como fraldas, roupas e material de higiene pessoal. Desde 2007, Hélia Cardoso é a coordenadora da PS na basílica.

Nossos bons samaritanos em ação

Para o teólogo holandês Henri Nouwen (também sacerdote e escritor), a doença mais dolorosa da sociedade atual é a solidão. “De fato”, disse fr. Junior, “o objetivo principal da pastoral da saúde é mostrar aos doentes que não estão sozinhos. O nosso papel é estar com eles, ser um toque de Deus na debilidade humana. Muitos não aguentam o tranco dessa experiência pastoral, porque nela você entra em contato de forma intensa com o sofrimento alheio. Eu vejo claramente Deus agindo através dos agentes”.

Eu também vi, fr. Junior. Nas visitas que fiz com os agentes aos locais atendidos pela PS, uma das coisas mais impressionantes de ver era a festa com que nossos bons samaritanos eram recebidos – que alegria ver a felicidade se desenhando imediatamente naqueles rostos, só por terem companhia, ouvidos, consolo, afagos e novidades. “A gente só fica pensando na segunda-feira [dia da visita dos agentes à Casa Santa Bernadete], disse a D. Wilma Aparecida Leizi Moreira (“Wilma com w”, como fez questão de frisar), e concluiu: “Elas são maravilhosas. A gente sente falta delas.”

Com raras exceções, todos tinham muitas histórias para contar, muita necessidade de conversar – sobre o passado, o presente, o futuro -, de interagir com o mundo “lá fora”, de desabafar, de falar de suas dores e medos, mas também das alegrias. A D. Iracy Ramos (“Iracy com y”, enfatizou), 65 anos, que divide um quarto na Casa Santa Bernadete com D. Clea de Vasconcellos (“Clea sem i”, disse), 88 anos, estava toda animada com a perspectiva do início da pintura do cômodo: “Nosso quarto vai ser pintado de verde-esperança. Vai ficar lindo.”

Na Casa Santa Bernadete, a espevitadíssima D. Zuleika Guimarães Moreira (“Zuleika com K, porque é antigo…”), 90 anos, tornou-se informalmente uma espécie de “guia” na casa. É ela quem fornece todos os detalhes sobre a rotina do local, sobre a idade e o estado de saúde das amigas e por aí vai. Conta, por exemplo, que “a Leonor vai fazer 102 anos dia 4. Impressionante: “não usa fralda, não usa bengala, é lúcida. Aqui são poucas pessoas com lucidez, e a Leonor é uma delas”. Olhando para outra amiga diz: “Aquela ali está muito mal. Veio do hospital ontem”. Fala isso com a naturalidade de quem já viu tudo ou quase tudo nesta vida e ainda assim, e pela graça de Deus, não perdeu a alegria. A D. Zuleika vai três vezes ao dia rezar numa capelinha com as imagens de Nossa Senhora de Lourdes e Santa Bernadete que fica logo na entrada da casa geriátrica.

Ao contrário da D. Zuleika, muitos dos atendidos pela PS têm no rosto a estampa do desalento. “Às vezes as pessoas não querem falar, então fazemos uma oração, cantamos um cântico. Não há regras para o trabalho nessa pastoral. O Espírito Santo sopra a cada momento. Às vezes basta um abraço. Encontramos pessoas em situações muito diferentes umas das outras”, diz a agente Ruth Christiana. Sim, é preciso jogo de cintura para lidar com cada situação, mas o requisito fundamental para trabalhar na PS é amar ao próximo e compadecer-se do seu sofrimento, como o bom samaritano (cf. Lc 10, 25-37). A eloquência dessa parábola, destacou o beato João Paulo II (que viria a ser, ele próprio, modelo de vivência cristã do sofrimento) na estupenda Carta Apostólica Salvifici Doloris, “está sobretudo nisto: o homem deve sentir-se como que chamado, de maneira muito pessoal, a testemunhar o amor no sofrimento. As instituições são muito importantes e indispensáveis; no entanto, nenhuma instituição, só por si, pode substituir o coração humano, a compaixão humana, o amor humano, a iniciativa humana, quando se trata de ir ao encontro do sofrimento de outrem”.

D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga (Portugal), disse em homilia por ocasião do XXIV Encontro Nacional da Pastoral da Saúde em Fátima, em maio de 2012: “Ter compaixão é reconhecer que o sofrimento do outro também é o meu sofrimento (…), é partilhar esse sofrimento alheio através da nossa oração, caridade, palavra, escuta e presença (companhia).” O arcebispo referiu-se aos agentes da pastoral da saúde como “ministros da esperança” que, “muitas vezes sem mencionar o próprio nome de Cristo, O manifestam concretamente, fazendo com que a palavra de Deus cresça e se multiplique”.

O Corpo de Cristo

“Alberta, eis o Corpo de Cristo”, diz a MESC Rosângela Duarte ao apresentar a Sagrada Comunhão a uma das diversas pessoas que naquele dia receberam na Casa de Saúde Santa Bernadete, junto com o Corpo e o Sangue de Cristo, também a sua Palavra e o seu Amor, levados pelos nossos agentes, dispensadores do amor de Cristo àqueles de quem Cristo sempre quis estar mais próximo: os desvalidos, os abandonados, os doentes, os que sofrem. Como disse o Papa Bento XVI na mensagem para o XX Dia Mundial do Doente (11/2/2012), “no acolhimento generoso e amoroso de cada vida humana, sobretudo da frágil e doente, o cristão expressa um aspecto importante do seu testemunho evangélico, segundo o exemplo de Cristo, que se debruçou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para os curar”.

Além do anúncio da Palavra, a administração dos sacramentos é o magnífico elemento que diferencia o trabalho da PS de um atendimento simplesmente humanitário ou filantrópico – o que já seria louvável. Na citada mensagem para o XX Dia Mundial do Doente, o Santo Padre destaca a importância especial da administração aos enfermos dos Sacramentos de Cura – Reconciliação e Unção dos Enfermos –, que “encontram o seu cumprimento natural na Comunhão Eucarística”. Sobre a Reconciliação, disse o pontífice que, ao “‘restituir-nos à graça de Deus e unir-nos a Ele numa amizade perfeita’ (Catecismo da Igreja Católica, n. 1.468), é também um convite a colocar nossa esperança no Deus Misericordioso – mais especialmente ainda no momento do sofrimento e do desânimo e desespero”. Pela Unção dos Enfermos, por sua vez, a Igreja, acompanhada pela oração dos presbíteros, “recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, a fim de que alivie as suas penas e os salve; aliás, exorta-os a unir-se espiritualmente à paixão e à morte de Cristo, para contribuir deste modo para o bem do Povo de Deus. (…) Na Unção dos Enfermos, a matéria sacramental do óleo é-nos oferecida por assim dizer, ‘como medicamento de Deus… que agora nos torna seguros da sua bondade e deve revigorar-nos e consolar, mas ao mesmo tempo aponta para além do momento da enfermidade, para a cura definitiva, a ressurreição’ (cf. Tg 5, 14)”. Com relação à Eucaristia, afirma:  “Recebida no momento da doença ela contribui, de maneira singular, para (…) associar aquele que se alimenta do Corpo e do Sangue de Jesus à oferenda que Ele fez de si mesmo ao Pai, para a salvação de todos.” (…) A conformação com o Mistério pascal de Cristo, realizada também mediante a prática da Comunhão espiritual, adquire um significado totalmente particular quando a Eucaristia é administrada e acolhida como viático. Naquele momento da existência ressoam de modo ainda mais incisivo as palavras do Senhor: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia’ (Jo 6, 54).”

Um imenso desafio para os agentes da PS é apresentar aos atendidos a riqueza do sentido cristão do sofrimento, tema de que trataremos na próxima edição desta seção.

A comunidade paroquial agradece imensamente aos queridos, admiráveis e compassivos agentes da PS, mas quem lhes assegura a recompensa por tamanha doação é um Grande Amigo nosso, que no Evangelho de São Mateus antecipa o que lhes dirá um dia: “Vinde, benditos de meu Pai, entrai na posse do reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber; era peregrino e destes-me hospedagem, andava nu e vestistes-me, estava doente e visitastes-me, estava no cárcere e fostes ver-me.”

Conheça os agentes e MESCs que levam o Cristo e fazem sorrir a “Iracy com Y”, a “Cléa sem i”, a “Wilma com W”, a “Zuleika com K” e tantos outros: Ana Maria de Lima Oliveira, Ângela Beatriz Maciel Fernandes, Belmira Serra Marques, Claudete Neves, Claudia Maria Lyra, Elza da Conceição Araújo Seabra Assunção, Esmeralda Ribeiro de Souza, Helia Cardoso Ferreira, Henrique Marin, Hilda Azevedo Vieira, Idalina Coracoci, Iracy de Oliveira Faria, Iramaia Xavier Ferreira Migon, Irenilda Soares Pinho, Isis de Freitas Futuro, Jaqueline Elias Matsumoto, Jurema Rodrigues Ronca, Lucia Sales, Luiz Alberto Tofanibaer Bahia, Luiz Bento, Margarida Maria Lima Melo, Maria da Conceição Moreira Cunha, Maria de Lourdes Ramos, Maria Izabel de Souza Borges, Mary Felisberto de Souza, Mônica Elias Matsumoto, Nancy Reis Felizola, Oseneide Maria de Carvalho Pereira, Raimundo Djacir Melo, Regina Coeli Lopes Machado, Regina Helena G. de Souza, Regina Moraes, Rosângela Martins Duarte, Rosa Maria Chagas Ferreira, Ruth Christiana da Silva Carvalho, Severina de Lourdes Ferreira Soares, Simone Lobianco, Sonia Maximiniano, Vicente Duarte, Vilma Cysne Vieira, Violeta de Oliveira. (Os dados foram fornecidos pela coordenadora da PS. Caso você encontre alguma incorreção nessa lista, por favor avise-nos pelo e-mail pascom@basilicasantateresinha.org.br)

PARA COLABORAR NA PASTORAL DA SAÚDE, ENTRE EM CONTATO COM HÉLIA CARDOSO, PELO E-MAIL heliacferreira@gmail.com, ou deixe seu nome e telefone na secretaria da paróquia, informando que deseja participar dessa pastoral.

 

Andréia Mello da Silveira

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Informativo – Dez/2016


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