Mariana Franco

De longe, a Mariana pode parecer irrequieta, porque ela anda rapidinho, fala rapidinho, gesticula muito, vive correndo. Mas isso é por causa das muitas atividades que desenvolve, porque ela faz questão de prodigalizar seus inúmeros dons aos irmãos. Só na paróquia, ela toca violão, canta na missa das crianças, é coroinha, dá aulas na pré-catequese, canta os salmos e, ufa!, ensaia o coral – e ainda dá chocolate Bis pra quem não faltar a nenhuma aula! De perto, o que transparece na Mariana, além da incrível vivacidade e da sinceridade a toda prova, é a retidão de caráter e uma convicção de sua fé muito incomum nas pessoas de sua faixa etária. Grande parte dessa personalidade ímpar se deve à educação sólida, amorosa e piedosa que recebe em casa, onde aprendeu que o mais importante na vida é priorizar a Deus. Aliás, aí está o que a Mariana mais agradece ao Pai: “É a família em que caí… Quer dizer, não é bem isso, cair, né, mas, tipo, adorei ter caído na minha família. Às vezes você implica com os seus irmãos, sei lá, mas… eu adoro!”

Com linguajar tipicamente adolescente – tipo… pô, sei lá, ah…, você entendeu, né? ¬–, a Mariana revela-se espantosamente sábia na compreensão das implicações de sua fé: “Eu gosto de ser católica. Às vezes as pessoas implicam, na escola. Quando eu era mais nova ficava meio chateada, meio tristinha, mas agora eu não ligo; isso já passou, você entende?” Contando-me uma bela alegoria apresentada em um filme, ela me explicou que basta não tomarmos o veneno que nos é servido para não sermos envenenados. Ou seja: basta não “cair na pilha” que as pessoas acabam desistindo de provocar… Cursando o 1º ano do ensino médio, agora é ela quem, segura de sua fé, influencia os colegas a frequentar as missas e eventos na basílica. Ponto para a Mariana.

A nossa entrevistada chegou a pensar em ser freira quando pequena; hoje acha que vai se casar. Sua mãe, a catequista Lucia Franco, pede a Deus que abençoe a vocação da filha, seja ela qual for (que bom que a Mariana “caiu” nessa família!). Bem no começo do ano, pensou em ser arquiteta; no meio do ano aventou a hipótese de fazer economia; mas, como sabe defender bem seus argumentos, sugeriram-lhe ser advogada. Sabe que ela achou uma boa ideia? Tem tempo pra pensar, né, Mariana?

Por falar em tempo, a Mariana tem tanto tempo de paróquia quanto tem de idade: começou a frequentar a basílica há 15 anos, nos braços da mãe, de quem parece ter herdado, além do sorriso lindo e franco, o dom de catequizar: “A Mariana quer converter todo mundo”, dedura a mamãe. Para ela, as melhores coisas da paróquia, fora a vivência de sua fé, são os amigos. Em todos esses anos, um momento de que ela se recorda com grande alegria foi uma ocasião em que o frei Rafael lhe deu a oportunidade de servir na missa das 19h30, antes de ser instituída coroinha. “Agora, teve uma coisa que aconteceu que não foi nada legal…”, conta-nos: uma vez, ela criou uma melodia muito bonita para um salmo; quando foi cantar, não conseguiu repetir a sequência criada. Ninguém percebeu, mas ela ficou toda jururu.

Responsável e aplicada, a Mariana “quer fazer tudo direito” – palavras da mamãe Lucia. Assim foi com o violão, que começou a aprender aos 12 anos com o Paulo Victor (com quem toca atualmente na missa das crianças). No começo, rigorosa consigo mesma, diz que custava a trocar as notas, que precisava até usar a outra mão para levar o dedo mindinho à posição certa nas cordas do violão e fazer o acorde correto. Mas logo pegou o jeito e, por conta própria, desenvolveu suas habilidades ao instrumento, tomando algumas lições com a tia, Fátima Medeiros. Resultado: Apenas um ano depois da primeira aula, já começou a tocar com o coral.

Nessa menina simples e prodigiosa, difícil é dizer o que mais encanta. Talvez seja a mistura harmoniosa do seu rosto de anjo com o seu jeito “elétrico”, temperado com a exuberância própria da juventude e a paz característica dos verdadeiros amigos de Deus.
Sabem o que ela acha mais “legal” em si mesma? O sorriso (alguém ousaria discordar?). E também o fato de saber dar uns “conselhozinhos maneiros” para as pessoas… A propósito, ela tem uma dica pra dar às crianças que estão entrando para a Igreja agora: “Uma das coisas boas é fazer amizades, porque assim você frequenta a Igreja mesmo que no início você não… porque, tipo assim, sabe como é, criança não gosta muito de missa… Mas tendo amizade você vai à Igreja mesmo assim. E depois vai gostar até da missa.” Palavra de quem ainda não engatinhava quando começou a frequentar missas. Hoje, em compensação, ela não se restringe às missas de preceito dos domingos, e tem até uma devoção especial aos Sagrados Corações de Jesus e Maria. Está fazendo a comunhão reparadora das nove primeiras sextas-feiras e a dos cinco primeiros sábados – já estava no quinto sábado quando conversamos. Ponto pra ela de novo!

E como ninguém é perfeito, a Mariana às vezes é impulsiva e reage um pouco além da conta quando a provocam e calha de ela não estar num dia muito bom… Isso foi ela que disse, mas esses momentos são tão raros que… tipo… ganha uma caixa de Bis quem falar de algum dia em que a Mariana estivesse do lado avesso…

Mariana, agradecemos a Deus por você ter “caído” justamente nessa paróquia!

Andréia Mello da Silveira

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Informativo – Mai/2016


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