Luísa Franco, Fernanda Carolina, Frederico Lobianco e Luís Guilherme

Luísa Franco, Fernanda Carolina, Luís Guilherme e Frederico Lobianco. O que esses jovens têm em comum, além da faixa etária (todos têm entre 18 e 20 anos), do fato de serem universitários e de servirem ao Altar como coroinhas na basílica? Pouca coisa – pelos menos segundo pude perceber em nossa conversa. Apesar das diferenças individuais, eles estão de acordo em três aspectos essenciais: primeiro, respeito é bom e todos gostam (querem que respeitem suas escolhas e sua fé, assim como procuram respeitar as opções e convicções de quem pensa diferente); segundo, família é tudo de bom; terceiro, amizade é a melhor coisa do mundo. O Fred, por exemplo, que no início vinha à igreja de muita má vontade, depois que fez amizades não queria mais sair daqui. Agora, ele cansa de perder a hora do almoço em casa porque estica demais na conversa com os amigos. As amizades têm uma função especialmente relevante na Igreja porque, como lembra a Luísa, “nós, como cristãos, católicos estamos nadando contra a maré, porque tudo diz: ‘o certo é isso’ – e nós sabemos que é o contrário. A gente querer viver o que é certo é difícil. Nesse ponto ter amigos é a melhor coisa que tem, porque os amigos se levam.”

Nossa conversa girou principalmente em torno do que se pode fazer para tornar as igrejas em geral mais atraentes para os jovens, mesmo que a princípio sua participação no Corpo de Cristo seja apenas periférica e não se traduza em aprofundamento espiritual. O jovem precisa encontrar na comunidade um ambiente alegre, sentir-se acolhido e ter o que fazer. Depois Deus faz o resto. O Fred menciona as atividades de lazer e os esportes como importantes atrativos. “Cresci escutando muita gente falando do cantinho com quadra e totó aqui na igreja. Vinha gente até de fora frequentar ali; primeiro vinham jogar, depois cantavam nas Missas – mesmo antes de compreenderem a sua fé -, depois começavam a participar do Grupo Jovem e acabavam ficando. Agora estão recriando o cantinho, e isso é muito bom”, disse ele. O “cantinho” fica no terreno da lateral da igreja onde estão acontecendo os encontros da perseverança. As crianças da catequese também costumam brincar por lá depois das aulas e, segundo a Luísa, “estão indo até mais animadinhas para a missa”.

Para a Luísa, que frequenta a paróquia desde que se entende por gente, para que o jovem seja atraído à Igreja é preciso haver, “desde o começo, um trabalho conjunto da família com a paróquia. Ao longo do crescimento da pessoa, é importante a família ir passando esses valores. Gostamos de sair, de bater papo, de ir a festas sim – somos jovens! -, mas sabemos que devemos dar prioridade às coisas de Deus, porque isso é uma necessidade nossa, como comer. A família é fundamental, é o canal de Deus para cada pessoa. Eu não posso tocar Deus. Eu O sinto através da família, que está ali pra nos ajudar.”

Duas coisas para as quais a maioria dos jovens torce o nariz – e o nosso quarteto não é exceção nesse aspecto – são as músicas “calminhas demais” e as homilias muito longas nas Missas. Para o Luís Guilherme, “é preciso ter o bom senso, pelo menos nas Missas dos jovens, de não fazer homilias tão demoradas; quando você vê tem gente dormindo, olhando pro lado, em outra órbita. Se é pra fazer com que os jovens prestem atenção isso é o mínimo que precisa ser feito.” A Luísa acha também que as músicas podem ser “mais alegres, ter uma batida mais forte”. Além disso, segundo ela, o que falta em muitas igrejas – não especificamente aqui na basílica – é a unção: “Não adianta ter mil planos, muita gente fazendo coisas, muitas coisas diferentes acontecendo. Depois que eu fiz Crisma e fui apresentada ao Espírito Santo, eu vi que ele é ‘O Cara’, é Ele que anima tudo. E eu acho que muita gente não conhece ele… Fica tudo muito no automático.”

As histórias de como esses jovens se tornaram coroinhas variam, mas no geral confirmam o sucesso dessa combinação formidável, que sempre dá samba (ou rock, como eles preferem): incentivo da família, convívio com amigos, promoção pela paróquia de atividades recreativas e de integração dos jovens à comunidade. Pois é, eles não querem só comida (mesmo que seja alimento espiritual), querem também diversão e arte. Nenhum dos quatro tinha um sonho especial de ser coroinha, mas todos tiveram um empurrãozinho de um familiar ou amigo e depois acabaram ficando e adorando.

A Fernanda “até queria ser coroinha, mas no começo era mais por curiosidade. Só que depois você acaba se apaixonando mesmo. Meus primos foram fazer e me chamaram. Acabei indo. Estou há cinco anos e toda vez que eu vou servir eu fico numa animação, é uma coisa diferente, adoro”. O Luís Guilherme começou a se interessar pelo serviço ao Altar no início da Crisma e acabou começando a servir antes mesmo de ser instituído – “e daí em diante foi. E é sempre bom estar aqui.” Com a Luísa foi assim: ela não tinha o menor interesse em ser coroinha; quem se animou pra fazer o curso preparatório aqui na basílica foi a irmã Mariana, “sempre empolgada pra fazer coisas novas. Eu não estava com vontade de ir, mas a minha mãe falou que depois eu ia gostar, que ia ser bom. Não foi de imediato, mas num determinado dia, estavam discutindo um tema – não me lembro qual – que me fez ver que aquilo ia ser bom. Passei a ter vontade de ir, algo dentro de mim dizia pra eu continuar. Aí fiz o curso todo, teve a instituição, fui indo e estou aqui.”

Se a Luísa estava reticente, o Fred não tinha dúvida: “Eu nunca fui de gostar de igreja, não gostava, ia por obrigação. Dizia pra minha mãe: ‘Pode ir, eu fico em casa; tem missa na televisão’. Ou então levava o videogame no bolso e, em determinado momento, ia pra capelinha e começava a jogar. E saía da missa já esperando a recompensa: um salgado da Parmê ou o pastel da feira. Só depois entendi o que é a Igreja, o que é a fé. Só comecei a participar pra valer das celebrações depois que entrei para a Crisma, convidado pelo Luís Guilherme. Ali conheci a Laila e um dia comentei com ela que uma vez tinha passado pela minha cabeça a ideia de ser coroinha. No domingo seguinte, ela chegou me apresentando à Daiana, coordenadora dos coroinhas, dizendo que ela iria fazer a minha inscrição. Eu falei: ‘Como? Ahn?’ Acabei entrando, e já estou há quatro anos nessa atividade. Sirvo com orgulho, às vezes me sinto até meio estranho quando não estou servindo. E isso me fez participar mais aqui na igreja. Por isso que eu digo: se você é criança ou jovem e está entrando para a igreja agora, não desista, mesmo que não goste, porque um dia as coisas vão fazer sentido.”

Como se vê, definitivamente, os jovens não são todos iguais, como às vezes se ouve por aí. Graças a Deus!  Sendo diferentes entre si, cada um contribui, com sua personalidade e aptidões, para a riqueza do Corpo de Cristo. A diversidade na unidade é uma das grandes riquezas da nossa Igreja. Dar espaço à diversidade sem perder a unidade, um dos grandes desafios dos administradores da Igreja. 

Andréia Mello da Silveira

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Informativo – Dez/2016


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