Frei Adilson

Neste mês dedicado às orações pela santificação do clero, a Pascom quer prestar uma sincera homenagem aos frades da basílica, aqui representados pelo frei Adilson – esse grande sujeito, esse homem santo, que sabe que “tudo passa” e que da vida só quer aquilo que não perece. “A única coisa que peço sempre a Deus é a ressurreição e a vida eterna”, diz ele.

Frei Adilson nasceu em Travessão de Campos (Campos dos Goytacazes) em 26/3/1954 (mas, por algum motivo que talvez o frei Cardoso saiba explicar…, muita gente acha que o aniversário dele é no dia 26 de junho; “mas não é”, ele pede, enfático, para avisar, em meio a uma gargalhada). Oriundo de uma família grande (nove irmãos de sangue, mais quatro adotados) e piedosa, desde cedo sentiu-se atraído pela vida religiosa. Aos 14 anos, entrou para o Carmelo, em Caratinga. Fez sua profissão solene em 1980. Formado em Filosofia e Teologia e ordenado presbítero em 1984, frei Adilson esteve desde aquele ano até 1987 exercendo seu ministério aqui na basílica; de 1987 a 1990, serviu a Deus em São Roque. De 1990 a 1999 foi pároco em sua cidade natal. Em 1999 foi para Belo Horizonte, onde foi pároco por dois anos, até 2001, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) que lhe causou sequelas motoras e na fala.

O ano que se seguiu foi muito difícil para o nosso entrevistado, como não poderia deixar de ser. Sua vida virou de cabeça para baixo. Quase tudo mudou de uma hora para outra. Durante um ano, fez em São José dos Campos um tratamento intensivo de recuperação que incluiu muita fisioterapia, acupuntura e caminhadas. Graças a Deus e a sua força de vontade, hoje afirma que depois do AVC passou a fazer menos coisa e num ritmo diferente, mas não deixou de fazer nada: “Faço mais devagar, mas faço um pouquinho de cada coisa.”

Bem, o que ele chama de pouquinho muitas outras pessoas chamam de um tantão de coisas. Ele acorda às 6h30 e permanece em silêncio até as 7 horas; depois faz sua meditação e celebra a Eucaristia; às 8h30 começa o trabalho, que inclui atendimento a confissões, orientação espiritual e um cuidado quase obsessivo com a limpeza e organização da sacristia e do presbitério. Quer ver o frei Adilson irritado e dando bronca? Deixe cair um papelzinho na igreja e faça de conta que não viu. Você vai ver que os santos também se invocam. Mas é por causa do zelo com a casa de Deus – assim como fez Jesus com os vendilhões do Templo.

Algumas das coisas que o frei Adilson mais gosta na vida conventual são o silêncio, a fraternidade, o amor, a elevação a Cristo, as recreações e uma bela soneca (outra gargalhada daquelas). Ele também é apaixonado pela pintura. Representante da arte do Monte Carmelo, depois do AVC teve de reaprender a pintar com a mão esquerda. Sua reabilitação é fruto de muita força de vontade. Mas nada teria conseguido se não fosse a mãozinha que Deus lhe deu pra que ele voltasse a pôr as mãos na massa.

Há seis anos, Frei Adilson está de volta à basílica. Ele ama essa comunidade e sobre ela diz o seguinte: “Eu gosto porque todo mundo conversa, ri e depois chora junto”. Ao mesmo tempo, considera a parte mais difícil de ser sacerdote precisamente a vida em comunidade porque não é fácil mesmo lidar com tantas personalidades e tantas formas de pensar diferentes. Acabam acontecendo conflitos. “E as fofocas, frei Adilson?”, perguntei-lhe. “Ah, isso aí deixa pra lᔠ(outra gargalhada).

Para concluir nossa conversa, perguntei ao frei Adilson o que ele agradecia especialmente a Deus. Mais uma gargalhada e depois o semblante voltou à doçura de sempre para dizer: “Tudo! Deus é quem sabe. Ele sabe de tudo. Em tudo o que acontece agradeço a Deus.” E nós agradecemos a Deus por sua vida, frei Adilson querido. Que Deus o abençoe sempre – e a todos os sacerdotes, que merecem nosso respeito, admiração e apoio. Vocês escolheram a melhor parte.

Andréia Mello da Silveira

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Informativo – Jun/2016


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