D. Esmeralda

Em 1960, a D. Esmeralda fez uma viagem de três meses ao redor do mundo, um prêmio recebido por seu marido, Sr. Octavio, pelos bons serviços prestados à Rede Ferroviária Federal. Nas visitas ao Vaticano e ao Santuário de Fátima, especialmente, começou como que a sentir-se chamada por Deus para uma reaproximação de seu Corpo Místico, do qual se afastara havia muito tempo. Ao chegar da viagem, mais de cinquenta anos atrás, voltou a frequentar a basílica, onde havia sido batizada e feito a Primeira Comunhão. Logo em seguida, a convite da D. Cândida, mãe da D. Angelina, começou a participar do Apostolado da Oração, do qual faz parte até hoje. “A D. Cândida era uma pessoa muito especial, que me dava muito apoio e orientação; devo muito a ela. Quando eu entrei para o Apostolado, ela me disse: ‘agora sou sua madrinha.”

Assim começou sua história de permanente conversão, pelo que agradece fervorosamente a Deus: “É o que mais agradeço na vida. Vou te contar uma história. Tinha uma menina que criei, eu não tinha muita paciência com ela, jurava que nunca mais ia criar filho de ninguém. A menina quebrou um vaso meu de cristal; como eu reclamei com ela, ela ainda me chamou de miserável, acredita? Eu vim falar com um frei, queria aprovação pra mandar a menina embora. Ele me mandou ficar diante do sacrário o tempo que fosse necessário e assim eu fiz. Em determinado momento, o sacrário ficou envolto em azul e escutei Jesus dizer: ‘Esmeralda (ele falou o meu nome!), lembre-se da misericórdia que eu tive com você.’ Depois disso, o relacionamento com a menina melhorou muito, e eu melhorei demais o meu gênio, que também não era fácil… e vim me modificando. A conversão é lenta, acontece aos poucos.” “Desse episódio para cá”, conclui a D. Esmeralda, “eu aprendi muita coisa”. Ela sempre fala que “tudo o que aprendeu foi nessa igreja”: “Eu realmente aprendi muito, tanto com os frades como com os leigos; devo muito a essa igreja. Eu nunca trabalhei fora, então foi aqui que fiz grandes amizades, aprendi a me relacionar com os outros, a olhar as pessoas com amor e caridade, aprendi muitas coisas de moral; e no meu trabalho na paróquia eu sempre senti que estava fazendo algo de útil. Mas tenho que prevenir às pessoas que estão iniciando um trabalho na paróquia agora: entrando você encontra animosidade. Então, uma sugestão: não leve isso em conta. Às vezes as pessoas que são mais rejeitadas vão dar os melhores serviços pela igreja. O conselho é ter perseverança.”

Nos primeiros 10 anos depois que voltou a frequentar a basílica, D. Esmeralda dedicou-se intensamente à obra social que atendia às imediações da Comunidade São José e participou do Círculo Bíblico com a D. Herenice Auler, que depois a convidou para ser catequista, atividade na qual permaneceu por 25 anos. Aí pôde perceber com clareza a “mudança dos tempos”: “Mudaram muito os costumes. Já nos últimos tempos em que eu era catequista (por volta de 1996) eu sentia diferença nos alunos. As crianças foram ficando mais rebeldes, o comportamento e o jeito mudaram muito. Mas isso aconteceu com todo mundo, também com os sacerdotes. Eu gostava muito da era dos padres italianos. Mas já na minha idade (82 anos) nós temos que aceitar a modernidade. É uma geração diferente, temos que aceitar as mudanças. Eu lembro que uma coisa que causou alguma dificuldade numa época foram os carismáticos. A ‘velha guarda’ (na qual me incluo) foi rigorosa. Não queria eles lá. Até que a D. Hilda, que era catequista e presidente dos carismáticos, pediu ao frei Sandro para autorizar a presença deles na basílica. Ele relutou, mas autorizou.”

De adaptação em adaptação, a D. Esmeralda veio fazendo muita coisa por aqui. Já foi presidente da Pia União de São José; há seis anos coordena a Legião de Maria e há mais de 30 é ministra da Eucaristia – e esta é sem dúvida a atividade na qual se sente mais gratificada. “Lembro que uma vez fui dar comunhão a uma senhora que sofria do mal de Alzheimer. O frade que me acompanhava dizia que aquilo não tinha sentido, que ela não entendia o que estava fazendo. Eu insisti com ele: ‘O olhar dela me diz algo.’ Pois bem, uma semana antes de morrer, ela me olhou bem e disse, com muito esforço: ‘Muito obrigada por tudo.’” Uma recompensa e tanto, daquelas que só Jesus pode oferecer! Outro caso foi o de uma senhora cega a quem dava a comunhão e que, pouco antes de morrer, fez com um gesto para que a d. Esmeralda se achegasse e disse-lhe: “Que Nossa Senhora Aparecida te abençoe e te proteja por tudo o que você me fez”.

E onde fica nessa história o Sr. Octavio, com cuja eficiência Deus Pai quis contar para trazer a D. Esmeralda de volta a casa? “Bem, o meu marido não frequenta a igreja, mas me dá todo apoio e liberdade, sempre valorizou o meu trabalho; nunca reclamou de nada que eu tenha deixado de fazer em casa por causa daqui. Agora, tem muita gente que não está na igreja e é mais cristão do que muita gente que frequenta a igreja…” A nossa entrevistada tem duas filhas e um filho (“mas católico igual à mãe só o rapaz”). Ela mora com o marido e a filha mais nova, de 56 anos, que sofre de esquizofrenia. Sua outra filha, que hoje tem 60 anos, teve um tumor no cerebelo aos 19. Por conta da cirurgia a que foi submetida, chegou a ficar sem falar. O prognóstico era sombrio: havia a expectativa de que deixasse também de andar. E o que aconteceu? “Ela levou cinco, seis anos para se recuperar, mas ficou plenamente curada. Eu peço sempre a Deus para que aconteça um milagre também com a minha caçula, mas Ele sabe de tudo. Eu não paro de rezar. Aliás, rezar é comigo mesmo, não só por mim e pela minha família, mas pelos outros, por todo mundo.”

Reze por todos nós, D. Esmeralda. E que a comunidade, em agradecimento ao tanto que a senhora já fez e continua fazendo por aqui, jamais se esqueça da senhora em suas orações!

Andréia Mello da Silveira

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Informativo – Jul/2017


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