O rosto antigo da comunidade

No dia 12 de novembro celebramos em Aparecida os 100 anos da chegada dos Carmelitas Descalços ao sudeste do Brasil. Por isso, neste mês mostraremos um pouco do rosto antigo da grande comunidade à qual orgulhosamente pertencemos: a Província São José.

Em 1909, D. Antônio Augusto de Assis, nascido em 1863 na cidade de Lagoa Dourada (MG), foi nomeado Bispo de Pouso Alegre (MG). Nessa condição, empenhou-se em prover a diocese de sacerdotes e missionários. Para atuar no seminário e no colégio diocesano, chamou os Missionários do Sagrado Coração, única família religiosa masculina então presente no território da atual arquidiocese. Para a missão chamou os Carmelitas Descalços da Província Romana. Depois dos trâmites legais e das devidas autorizações, foram enviados ao Brasil frei Arcanjo de São Pedro, frei Marcelino de Santa Teresa, frei Mauro de São José (sacerdotes) e frei Afonso de Santo Agostinho (leigo). Depois de atracarem no porto do Rio de Janeiro, os pioneiros partiram a cavalo para o sul de Minas e chegaram a Pouso Alegre (MG) no dia 2 de abril de 1911.

A cidade de Córrego do Bom Jesus, distrito de Cambuí, foi o local escolhido para a instalação da comunidade. Frei Arcanjo de São Pedro, que havia sido definidor provincial na Província Romana, era o superior e vigário provincial. A igreja lá existente era dedicada ao Senhor Bom Jesus. Para a paróquia (Nossa Senhora do Carmo de Cambuí) que se localizava na sede do município, foi nomeado pároco frei Marcelino de Santa Teresa. Quando, por motivo de doença, frei Marcelino teve de retornar a Roma, assumiu a paróquia frei Mauro de São José.

Em 1912, realizou-se o Capítulo Provincial da Província Romana. Frei Arcanjo, vigário provincial para as missões no Brasil, apresentou no encontro um relatório da missão e os pedidos do bispo para que assumissem novas capelas e paróquias. O provincial eleito, frei Paulo de São Jerônimo, acatou a ideia e enviou um novo grupo ao Brasil: frei Nicolau de São José, frei Jerônimo de São José, frei Brocardo de São José e frei Anselmo da Beata Virgem, e o irmão leigo frei Nazareno da Ressurreição. Eles chegaram ao Brasil, no porto de Santos, no dia 10 de julho de 1912, e de lá partiram para São Paulo, passando a noite na cidade. No dia seguinte, foram de trem para Bragança, de onde seguiram a cavalo para Córrego do Bom Jesus. Os freis Brocardo e Anselmo foram juntar-se ao frei Marcelino, em Cambuí. Os outros frades recém-chegados permaneceram em Córrego.

Graças à amizade de frei Arcanjo de S. Pedro com o reitor do Santuário de Aparecida, padre João Batista, redentorista, os frades conseguiram contatar o bispo de Taubaté, D. Epaminondas Nunes de Ávila e Silva, que lhes prometeu uma paróquia em sua diocese. Os frades então entraram em contato com a Província para dar a boa notícia. Com isso, foram enviados mais dois frades para a missão: frei Serafim de Santa Teresa (que já tinha vasta experiência missionária) e frei Gabriel do Sagrado Coração, que chegaram a Córrego no dia 4 de agosto de 1914. Frei Serafim foi nomeado vigário provincial, em substituição a frei Arcanjo.

No dia 4 de setembro de 1914, os carmelitas assumiram a paróquia de São Bento do Sapucaí. A igreja matriz de São Bento era, na verdade, uma pequena capela de pau a pique, que estava em reconstrução, apresentando paredes de tijolos à vista. Foram habitar na comunidade frei Serafim (superior), frei Mauro (pároco), frei Jerônimo e frei Nazareno. Em três anos, frei Serafim conseguiu concluir as obras, graças a doações de fiéis e entidades religiosas.

Em 1915, já tendo a Itália entrado na Primeira Grande Guerra, aconteceu o Capítulo da Província Romana, e os frades missionários no Brasil puderam enviar um representante para o encontro. O escolhido foi Frei Serafim. No capítulo, foi eleito provincial frei Lourenço de São Basílio. Frei Jerônimo também estava na Itália, convocado para a guerra, mas, lá chegando, soube que o governo italiano dispensava do serviço militar os religiosos em missão fora da Europa. Assim, voltaram juntos ao Brasil, após o capítulo, frei Jerônimo e frei Serafim, trazendo outro missionário, frei Félix da Anunciata. Chegaram em Córrego em 1º de janeiro de 1916.

Em função da guerra e dada a preocupação em ter maior estabilidade no Brasil, o Capítulo pediu à Santa Sé permissão para fundar um convento em São Bento do Sapucaí e tomar empréstimos no Brasil. O pedido foi aprovado e, no mesmo ano, teve início a construção. A Ordem firmou novo contrato com o bispo de Taubaté. Foi em São Bento que frei Serafim fundou, em 1º de janeiro de 1918, o primeiro grupo da Ordem Terceira da Ordem dos Carmelitas Descalços.

As fundações no sul de Minas Gerais foram, assim, o início de uma série de fundações de Descalços na região sudeste, entre as quais aquela em que hoje se localiza a nossa basílica, onde havia outrora uma mansão, pertencente à baronesa de Itacuruçá, que foi adquirida em leilão, em 1921, por frades da Província Romana, oriundos de Minas Gerais.

Todos esses conventos e paróquias foram reunidos em 1978 para o início de uma Província Brasileira dos Carmelitas Descalços no sudeste. Atualmente, a Província São José é formada pelas comunidades de São Paulo, Rio de Janeiro, São Roque, Belo Horizonte (Convento São João da Cruz e Convento Santa Teresa), Caratinga e Piedade de Caratinga e, embora não façam parte do sudeste brasileiro, também pelas comunidades de Brasília, no Centro-Oeste do Brasil, e de Handel, na Holanda.

Andréia Mello da Silveira

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Informativo – Dez/2016


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