História da Basílica: lembranças da comunidade

No mês de julho de 2017 a Basílica de Santa Teresinha do Menino Jesus faz seu jubileu de 90 anos. A história de nossa Igreja marca a vida de cada paroquiano de alguma forma, seja ao lembrar do batismo, de sua primeira comunhão, da cerimônia de seu casamento ou até mesmo de seu serviço voluntário prestado. Neste tempo em que damos ação de graças pelo aniversário da Basílica, convidamos nossos leitores a relembrar momentos marcantes da comunidade, a partir das lembranças em comunidade de alguns paroquianos de longa data que gentilmente aceitaram nosso convite para conversar.

O início da história da Basílica remonta ao ano de 1921, com o estabelecimento dos Frades Carmelitas descalços no Rio de Janeiro, oriundos de Minas Gerais, e abertura de uma pequena capela dedicada à Nossa Senhora do Carmo no terreno adquirido, já rua Mariz e Barros. A igreja que veio a ser construída no local seria dedicada à Senhora do Carmo, mas com o aumento da devoção do povo à Santa Teresinha e com a esperança em sua canonização, os frades decidiram dedicar o templo à santa de Lisieux e iniciaram as obras de construção em 1924.

A inauguração da igreja ocorreu em 16 de julho de 1927, na solenidade de Nossa Senhora do Carmo. E no dia 20 do mesmo mês, o templo foi alçado à condição de Basílica Menor. Em 1947 a Capela tornou-se Paróquia e passou a ter o seu primeiro pároco, Frei Alberto.

Dona Isis Futuro, uma das paroquianas mais antigas, guarda boas recordações da comunidade nas décadas de 30 e 40. Ela, que entrou efetivamente para a Igreja em 1937, ano em que sua turma de catequisandos – umas das primeiras da Basílica – recebeu a Primeira Comunhão, lembra com carinho dos freis italianos que acolhiam muito bem os fiéis e da presença das normalistas do Instituto de Educação nas celebrações.

Dona Isis realizou serviço voluntariado em várias pastorais e hoje é responsável pela organização da Missa diária das 7 horas. “Minha vida aqui foi muito marcante”, conta a paroquiana que, junto com a senhora Herenice Auler, participou da primeira turma do grupo jovem da Paróquia.

Outra paroquiana engajada nas atividades da Basílica, que nos relembrou diversos momentos vividos na Igreja é a Ângela Beatriz Maciel. Mais jovem, ela chamou atenção para a existência de um cinema na paróquia, o Cine Roma, inaugurado em 28 de maio de 1960. O cinema atraía muitos jovens e adultos do bairro e durou por muitos anos com seções sempre cheias. Ângela se recorda de ter visto ali muitos dos chamados “filmes da Atlântida”, em que estrelavam Grande Otelo e Cyll Farney.

O cinema, de decoração no estilo art nouveau, foi fechado em 23 de março de 1976, acompanhando a época de fechamento dos cinemas de rua da Tijuca. O espaço, então, foi reutilizado como teatro, no qual o grupo jovem apresentou peças infantis e montagens de motivação religiosa. A apresentação mais marcante foi o “Auto da Esperança”. Mais tarde, também o teatro viria a ser desativado; após reformas, o espaço hoje abriga o salão do Centro Teresiano de Formação.

Outro fato marcante muito lembrado pelos paroquianos entrevistados foram as celebrações do centenário da morte de Santa Teresinha, em 1997. Neste ano, que coincidiu com os 70 anos da Basílica, a paróquia recebeu muitas graças. Talvez a maior delas tenha sido ver o Papa João Paulo ll declarar Santa Teresinha como Doutora da Igreja, em razão da sua mensagem da Infância Espiritual e da Contemplação da Face de Cristo.

No mesmo ano, o Santo Padre esteve na cidade do Rio de Janeiro, para o encontro Mundial das Famílias, e na ocasião o Cardeal Dom Lucas Moreira Neves, que era natural de Minas Gerais, mas passou a maior parte de sua vida de congregação em Roma, esteve na Basílica para celebrar uma Missa em comemoração à Santa Teresinha.

Ainda pela comemoração do centenário de canonização de Santa Teresinha, a comunidade realizou em 1997 a primeira grande chuvas de rosas, com a retirada das lâmpadas de mercúrio da extensão da Igreja, para deixar livre os locais para a passagem das pétalas. E em 1998, a Basílica ganhou do renomado artista plástico brasileiro, Glauco Rodrigues, um quadro exclusivo da Santa, que se encontra na Capela do Menino Jesus de Praga.

Mais recente, a Jornada Mundial da Juventude de 2013, realizada em nossa cidade, também foi citada com carinho. Na paróquia e nas residências de paroquianos ficaram abrigados muitos peregrinos, especialmente os de nacionalidade francesa. Por ocasião da JMJ, nossa paróquia também se engajou na organização da Jornada Carmelitana, sucedida na sede social do América Futebol Club.

Diante de tantas recordações boas, a paróquia confia que as comemorações dos 90 anos, neste ano de 2017, seja muito abençoada, com presença viva da comunidade. A Basílica de Santa Teresinha do Menino Jesus marcou e continuará marcando a vida dos paroquianos que por ela passarem.

Rodrigo Tiradentes

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Informativo – Jul/2017


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