Doutrina

A pequena via: doutrina da pobreza e da infância espiritual

O termo “pequena via da infância espiritual” foi cunhado por madre Inês de Jesus (irmã de Santa Teresinha e sua companheira no Carmelo) para sintetizar o caminho espiritual e a rica doutrina que nos legou nossa querida padroeira. A infância espiritual consiste em, tendo o cristão plena consciência do nada que é, abandonar-se com a intrepidez de uma criança nos braços do Pai, mantendo a confiança filial mesmo nos tropeços: “Ser pequeno é não desanimar com as faltas próprias, pois as crianças caem com frequência, mas são demasiado pequenas para machucar-se seriamente (Santa Teresa do Menino Jesus. A “pequena via” para Deus. Seleção e tradução de Emérico da Gama. São Paulo: Quadrante, 2009. p. 37). Ademais, “observa um menininho que acaba de desgostar a sua mãe […] Se a procura de braços estendidos […] porventura a sua mãe não o estreitará ternamente contra o coração e esquecerá as suas traquinices infantis?” (op. cit., p. 16). A parábola do filho pródigo (Lc 15,11-32), cujas graves faltas o pai se dignou perdoar com tanta bondade, garante-nos que sim.

Teresa em 1896

Numa França influenciada em grande medida pelo rigorismo jansenista, Santa Teresinha fez reflorescer a espiritualidade cristã ao colocar em evidência a ilimitada compaixão de Deus para com os homens: “Ó Jesus, pudera explicar a todas as almas pequeninas quão inefável é tua condescendência… Percebo que, se por absurdo encontrasses alma mais fraca, mais pequenina, do que a minha, terias prazer em cumulá-la de favores muito maiores, contanto que com inteira confiança se abandone à tua infinita misericórdia”  (Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. História de uma alma: manuscritos autobiográficos. 2ª. ed., São Paulo: Paulus, 2008. p. 220). E toda essa confiança origina-se no fato de que somos filhos amados de Deus Pai, a quem devemos procurar de todas as formas agradar, não por temor, mas por amor. Diz-nos a Santa das Rosas: “(…) Parece-me que se todas as criaturas possuíssem as mesmas graças que eu, o Bom Deus não seria temido por ninguém, mas amado até a loucura; e por amor, não a tremer, nenhuma alma jamais consentiria em Lhe causar desgosto” (op. cit., p. 198).

Teresa, que sempre desejou ser santa, sentia profunda tristeza ao se confrontar com os santos. “Sempre verifiquei que há entre mim e eles a mesma diferença que existe entre a montanha […] e o obscuro grão de areia espezinhado pelos transeuntes. Em vez de desanimar, pensei: o bom Deus não seria capaz de inspirar-me desejos irrealizáveis. Posso, por conseguinte, aspirar à santidade, não obstante a minha pequenez. Ficar maior não me é possível. Devo, pois, suportar-me tal qual sou, com todas as minhas imperfeições. Mas procurarei um meio de ir para o céu por uma trilha bem reta, bem curta, uma trilha inteiramente nova” (op. cit., p. 226). E encontrou indicação do caminho a seguir nas Sagradas Escrituras, notadamente no Evangelho de São Lucas (18,17): “Em verdade vos digo, aquele que não receber o Reino de Deus como uma criancinha, não entrará nele.”

Apercebeu-se então de que para ser santa não lhe seriam necessários atos heroicos, “visto que Jesus não exige grandes feitos, mas unicamente o abandono e a gratidão, pois declarou no Salmo 49: ‘Não tenho precisão dos bodes de vossos rebanhos, porque todas as feras das selvas me pertencem, os milhares de animais que vivem nos montes. Conheço todas as aves das montanhas… Se tiver fome, não será a ti que o direi, porque minha é a terra e tudo que nela se contém. Serei, por acaso, obrigado a comer carne de touros e a beber sangue de cabritos? … Imolai a Deus sacrifícios de louvor e de ações de graças.’ Eis aí tudo o que Jesus exige de nós. Não precisa de nossas obras, mas unicamente de nosso amor, […] mas […] entre seus próprios discípulos, infelizmente, só encontra poucos corações que a ele se entregam sem reserva, que compreendem toda a ternura de seu amor infinito” (op. cit., p. 207).

A santificação no cotidiano

O que há de mais estupendo na doutrina de Santa Teresinha é o fato de não haver nela nada de extraordinário senão um irrestrito amor a Deus, que pode ser demonstrado por gestos ou atos triviais, corriqueiros, ordinários ­ marcados pela obediência e humildade. Diz a Florzinha Branca a seu Bem-Amado Jesus: “Eis como se consumirá minha vida… Não tenho outro meio para te dar prova do meu amor, senão o de jogar flores, isto é, o de não deixar escapar nenhum sacrificiozinho, nenhum olhar, nenhuma palavra, o de servir-me das coisas mais insignificantes, fazendo-as por amor […] Assim estarei a lançar flores diante do teu trono […]. Sim, essas nonadas te darão prazer, farão sorrir a Igreja Triunfante, a qual recolherá minhas flores, desfolhadas por amor, e fará com que cheguem às mãos divinas. Ó Jesus, tendo vontade de brincar com sua filhinha, a Igreja do céu, por sua vez, lançará as flores, munidas de valor infinito ao teu toque divino, jogando-as sobre a Igreja Padecente, a fim de lhe extinguir as chamas, e sobre a Igreja Militante, a fim de lhe trazer a vitória!” (op. cit., p. 216)

No Carmelo, onde passou nove dos seus 24 anos, aquela que viria a ser doutora da Igreja Universal aplicava-se “antes de tudo, à prática de pequenas virtudes, uma vez que não achava facilidade de praticar as grandes. Gostava, pois, de dobrar as capas esquecidas pelas irmãs, e de prestar a estas todos os pequenos obséquios ao meu alcance. Foi-me dado também o amor à mortificação e ele era tanto maior quanto nada me era permitido para satisfazê-lo […] As [penitências] que me eram autorizadas, sem minha solicitação, consistiam em mortificar o meu amor-próprio, o que me beneficiava muito mais do que penitências corporais…” (op. cit., p. 179)

Alguns episódios bem prosaicos vividos pela Santa no Carmelo mostram como o dia a dia comum pode ser rico em ocasiões de mortificação, renúncia e aperfeiçoamento das virtudes. Vejamos como ela própria nos narra alguns deles.

“Eis minha primeira vitória, não é grande, mas custou-me bastante. Apareceu quebrado um jarrinho que estava atrás de uma janela. Julgando ser eu quem o deixou fora do lugar, nossa Mestra mo indicou, recomendando que de outra vez prestasse mais atenção. Sem dizer nada, beijei o chão e a seguir prometi ser mais ordeira para o futuro. Em consequência da minha pouca virtude, tais práticas me custavam bastante.” (Op. cit., pp. 178-179.)

 “Na comunidade vive uma irmã que possui o dom de me desagradar em todas as coisas. Seus modos, suas palavras, seu gênio, pareciam-me muito desagradáveis. Trata-se, todavia, de uma santa religiosa, que será muito agradável ao Bom Deus. Por esta razão, não querendo ceder à antipatia natural que experimentava, pensei comigo que a caridade não consistiria em sentimentos, mas em atitudes. Dediquei-me então a fazer pela irmã o que faria pela pessoa a quem mais amasse […] Bem senti que isto agradava a Jesus […] Não me restringia a rezar muito pela irmã que me ocasionava tantos combates. Fazia por lhe prestar todos os obséquios possíveis, e quando tinha tentação de responder-lhe de modo desagradável, contentava-me em lhe esboçar o mais amável sorriso […].” (Op. cit., pp. 243-244.)

      “[…] Durante muito tempo, na oração da tarde, meu lugar ficava na frente de uma irmã que tinha uma mania estranha […] Logo que chegava, a irmã punha-se a fazer um estranho ruído semelhante ao que resultaria de quando se esfregam duas conchas. […] Explicar-vos […] quanto o ruído me aborrecia seria vã pretensão.  Sentia muita vontade de voltar a cabeça e encarar a culpada, que certamente não notava seu tique. […] No fundo do coração, porém, percebia ser preferível sofrer tal coisa, por amor a Deus e para não magoar a irmã. Ficava, pois, quieta, procurando unir-me ao Bom Deus e esquecer o ruído… Era tudo inútil. Sentia-me banhada de suor, e era obrigada a fazer oração com sofrimento […] Procurava então gostar do leve ruído, tão desagradável. Em vez de pretender não escutá-lo (coisa impossível), punha atenção em ouvi-lo bem, como se fora maravilhoso concerto, e toda minha oração […] limitava-se em oferecer tal concerto a Jesus.” (Op. cit., p. 271.)

      “Outra ocasião, na lavagem de roupa, estava diante de uma irmã que me espirrava água suja no rosto, todas as vezes que levantava os lenços na tábua de bater. Meu primeiro ímpeto foi o de recuar e enxugar o rosto, a fim de dar a entender à irmã que me aspergia que me faria favor se parasse. Mas logo pensei que seria grande tolice minha recusar tesouros que me eram dados tão generosamente, e muito me precavi de não dar a perceber minha luta. Apliquei todo o meu esforço em desejar receber muita água suja, de sorte que no fim já me tinha realmente afeiçoado ao novo gênero de aspersão, prometendo a mim mesma retornar, na próxima oportunidade, ao feliz lugar, onde se recebiam tantas preciosidades. Como vedes, Madre muito amada, sou alma muito pequenina, que só tem condições de oferecer a Deus coisas pequeninas, e muita vez me acontece ainda deixar escapar esses sacrificiozinhos, que tanta paz trazem à minha alma.” (Op. cit., p. 328.)

Assim, aquela que se julgava incapaz de grandes feitos foi-se aprimorando nas virtudes até não deixar escapar nenhum sacrifício pela salvação das almas e pela Santa Igreja, fazendo lembrar um acontecimento de sua infância que, segundo a própria Teresa, reflete toda a sua vida. Sua irmã Leônia ofereceu à caçula e à irmã Celina um cesto cheio de vestidos de bonecas, retalhos e uma boneca, para que escolhessem o que lhes agradava. Enquanto Celina escolheu um pacote de cordões, a pequena Teresa disse: “Escolho tudo!” Quando, mais tarde, compreendeu que cada alma era livre para responder às solicitações de Deus, e que cada uma o fazia em determinado grau, muito ou pouco, no escolher entre os sacrifícios que exige o caminho da santidade, pensou: “Meu Deus, escolho tudo.

A supremacia da caridade

“Ser tua esposa, ó Jesus, ser carmelita, ser mãe das almas pela união contigo, deveria ser bastante para mim… […] Contudo, sinto em mim outras vocações. Sinto em mim a vocação de guerreiro, de sacerdote, de apóstolo, de doutor e de mártir. Sinto, afinal, a necessidade, o desejo de realizar por ti, Jesus, todas as obras, as mais heroicas… […] Desejaria morrer no campo de batalha pela defesa da Igreja… […] Oh! apesar de minha pequenez, quisera esclarecer as almas, como os profetas, os doutores. Tenho vocação de ser apóstola… Quisera percorrer a terra, apregoar teu nome e implantar em terra de infiéis tua gloriosa Cruz. Mas, ó meu Bem-Amado, uma única missão não me seria bastante. Quisera anunciar, ao mesmo tempo, o Evangelho pelas cinco partes do mundo até as ilhas mais remotas… Quisera ser missionária não só por alguns anos, mas quisera sê-lo desde a criação do mundo, e sê-lo até a consumação dos séculos… Mas, acima de tudo, quisera, ó meu amado Salvador, por ti quisera derramar meu sangue até a última gota…” (op. cit., pp. 211-212).

Com essas palavras, Santa Teresinha exprime a multiplicidade de desejos em seu coração. Sentindo-se aflita por querer identificar em si todas as vocações e pela impossibilidade de ser tudo ao mesmo tempo, encontrou descanso ao ler, na primeira epístola de São Paulo aos Coríntios, capítulos 12 e 13, sobre a diversidade de carismas (todos, no entanto, concedidos pelo único e mesmo Espírito). No corpo de Cristo, nem todos são apóstolos, profetas, doutores; nem todos têm o dom de curar, de fazer profecias, de falar línguas ou de interpretá-las. Em sua leitura, deu então a santa com a viva recomendação que foi a chave para seu sossego: “Aspirai aos dons mais altos […] Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como bronze que soa, ou como címbalo que tine” (1Co 12 até 1Co 13, 1).

Considerando, então, a importância de cada membro do Corpo de Cristo, e o fato de que cada um deles não é nada sem o amor, compreendeu qual era sua vocação: “A caridade deu-me a chave de minha vocação. Compreendi que, se a Igreja tinha corpo, composto de vários membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha coração, e que o coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja atuarem, e que se o amor se extinguisse, os apóstolos já não anunciariam o Evangelho e os mártires se recusariam a derramar seu sangue… Compreendi que o amor abrange todas as vocações, alcançando todos os tempos e todos os lugares… […] Então, no transporte de minha delirante alegria, pus-me a exclamar: Ó Jesus, meu amor, minha vocação, encontrei-a afinal: minha vocação é o amor! Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, e tal lugar, ó meu Deus, fostes vós que mo destes… No coração da Igreja, minha Mãe, serei o amor… Assim serei tudo…” (op. cit., pp. 212-214).

E o Bom Deus deu-lhe a graça de compreender em que consiste o amor, a caridade perfeita: “consiste em suportar os defeitos dos outros, em não admirar-se de suas fraquezas, em edificar-se com os mínimos atos de virtude que se lhes veja praticar” (op. cit., p. 241). Além disso, compreendeu Teresa que a caridade não deve ficar encerrada no fundo do coração, pois “não se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire” (Mt 5,15): ela deve traduzir-se em obras e iluminar não só os que nos são caros, mas a todos, sem excluir ninguém. A caridade é, assim, no dizer de Santa Teresinha, o caminho por excelência, o qual leva a Deus com segurança (op. cit., p. 213).

A perfeição consiste em aceitar e fazer a vontade de Deus

Segura de seu caminho, a Florzinha de Jesus entendeu também “que nem todas as almas podem ser semelhantes. Força é que haja várias categorias, a fim de enaltecerem de modo especial cada uma das perfeições do Bom Deus. A mim me deu sua infinita misericórdia, através da qual contemplo e adoro as demais perfeições divinas! Então, todas se me apresentam radiosas de amor… A própria justiça (talvez mais do que qualquer outra) se me afigura revestida de amor…” (op. cit., p.198).

Dadas as diferenças entre as almas, variados são também os caminhos pelos quais o Senhor as leva: “Vemos, na vida dos santos, como muitos houve que não quiseram deixar nada de si mesmos depois da morte, nem sequer a mínima lembrança, o mínimo escrito. Outros houve, pelo contrário, como nossa Madre Santa Teresa, que enriqueceram a Igreja com suas sublimes revelações, sem receio de revelar os segredos do Rei, a fim de que Ele seja mais conhecido, mais amado pelas almas. Qual das duas categorias de santos agrada mais de tudo ao Bom Deus? Parece-me que lhe agradam por igual, porque todos seguiram a moção do Espírito Santo, e o Senhor declarou: ‘Dizei ao justo que tudo lhe sairá bem!’ Sim, tudo sai bem quando só procuramos a vontade de Jesus” (op. cit., pp. 225-226).

Da mesma forma, diversas são as “medidas de graças” que as almas recebem, no dizer de Santa Teresinha, que para isso encontrou a seguinte resposta: “Dignou-se Jesus esclarecer-me a respeito deste mistério. Pôs-me diante dos olhos o livro da natureza, e compreendi que todas as flores por Ele criadas são formosas, que o esplendor da rosa e a brancura do lírio não eliminam a fragrância da violetinha nem a encantadora simplicidade da bonina… Fiquei entendendo que se todas as florzinhas quisessem ser rosas, perderia a natureza sua gala primaveril” (op. cit., p. 26). E mais: “Quis Ele [Deus] criar os grandes santos, que podem ser comparados aos lírios e às rosas, mas criou também os mais pequenos, e estes devem contentar-se em serem boninas ou violetas, cujo destino é deleitar os olhos do Bom Deus […] Consiste a perfeição em fazer sua vontade, em ser o que Ele quer que sejamos […] Entendi ainda que o amor de Nosso Senhor se revela tão bem na mais simples das almas que em nada resiste à sua graça, como na mais sublime das almas […] Assim como o sol clareia ao mesmo tempo os cedros e cada pequena flor, como se na terra só ela existisse, assim também Nosso Senhor se ocupa em particular de cada alma […] e como na natureza todas as estações se dispõem de molde a fazer desabrochar na data prevista a mais singela margarida, assim também todas as coisas estão proporcionadas ao bem de cada alma” (op. cit., p. 27).

Espontaneidade no trato com Deus

Seguindo a rica espiritualidade carmelita, que ajudou a embelezar acrescendo-lhe elementos próprios de sua personalidade, Santa Teresinha tinha uma forma simples e audaciosa (“Há muito que me permitistes ser audaciosa convosco”, diz ela a seu Pai celestial ­ op. cit., p. 278) de achegar-se ao Pai. Tinha intimidade com Ele, sentia Jesus dentro de si a cada instante, a inspirá-la e orientá-la. Compreendeu, e sabia “por experiência, que […] Jesus não tem necessidade de livros nem de doutores para instruir as almas; Ele, Doutor dos doutores, ensina sem ruído de palavras” (Santa Teresa do Menino Jesus. A “pequena via” para Deus. Seleção e tradução de Emérico da Gama. São Paulo: Quadrante, 2009. p. 28).

Quando não estava dedicando-se às orações em comum, dirigia-se ao Pai sem formalidades: “Fora do Ofício Divino, que sou muito indigna de recitar, não tenho ânimo de sujeitar-me a procurar nos livros belas orações. Faz-me doer a cabeça, são tantas! […] umas mais bonitas que as outras… Não poderia recitá-las todas e, não sabendo qual delas escolher, faço como crianças que não sabem ler. Digo, muito simplesmente, ao Bom Deus o que lhe quero dizer, sem usar belas frases, e Ele sempre me entende… Para mim, oração é um impulso do coração, é um simples olhar que se lança ao céu; é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da provação como no meio da alegria; enfim, é algo de grande, de sobrenatural, que me expande a alma e me aconchega a Jesus” (Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. História de uma alma: manuscritos autobiográficos. 2ª. ed., São Paulo: Paulus, 2008. p. 263).

Carmelo de Lisieux

E como é grande, diz a Santa, o poder da oração.  “Dir-se-ia uma rainha que a cada instante tem livre acesso ao Rei, e pode alcançar tudo quanto pede” (op. cit., p. 262) . Parafraseando Arquimedes, a quem se atribui a frase “Deem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu levantarei o mundo”, Santa Teresinha diz que a oração, “que incandesce com o fogo do amor”, é a alavanca, e que o Todo-Poderoso é o ponto de apoio com a qual os santos ainda militantes soerguem o mundo, e com a qual os santos vindouros o soerguerão, até o fim dos tempos (op. cit., p. 281).